Extrema-direita alemã vence eleição regional histórica na Saxônia-Anhalt
O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) alcançou uma vitória histórica nas eleições regionais da Saxônia-Anhalt, realizadas no domingo (6). O partido ficou a apenas três assentos de conquistar a maioria absoluta no parlamento estadual, com 43,8% dos votos apurados após a totalidade das urnas serem contadas. Esta marca representa a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que um partido de extrema-direita assume o poder em um estado alemão.
O resultado superou significativamente a União Democrata Cristã (CDU), partido do chanceler Friedrich Merz, que obteve 17,5% dos votos, de acordo com dados preliminares das emissoras públicas ARD e ZDF. O líder regional da AfD, Ulrich Siegmund, declarou que o feito “é um sinal para toda a Alemanha”. A co-líder da AfD, Alice Weidel, classificou a vitória como um indicativo de que Friedrich Merz é um “fardo” para o país e que a AfD almeja obter ao menos 40% nas próximas eleições federais em 2029.
O candidato da CDU e primeiro-ministro da Saxônia-Anhalt, Sven Schulze, expressou decepção, admitindo um “duro golpe” com a perda de metade dos votos em comparação com 2021. Ele reconheceu a AfD como a “força política mais forte no parlamento regional”. Thorsten Frei, líder do grupo parlamentar da CDU em Berlim, considerou o resultado um “ponto de virada para o país”, destacando que “nunca antes vivemos uma situação em que um partido classificado como ‘extremista de direita’ … obtivesse uma maioria.”
A vitória expressiva da AfD dificulta a formação de alianças estáveis, apesar de existir uma potencial maioria para além do partido. Uma coalizão que envolvesse a CDU e A Esquerda (8,6% dos votos) se torna menos viável. A notícia gerou preocupação entre líderes europeus. O ministro francês dos Assuntos Europeus, Benjamin Haddad, a classificou como “um momento grave na Europa”. Seu colega das Finanças, Roland Lescure, considerou o resultado “muito, muito preocupante” e um desafio diante da “onda populista”.
Na Polônia, o ministro das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, também viu a vitória como um “sinal muito preocupante”. Em contrapartida, líderes de extrema-direita europeus celebraram o resultado. André Ventura (Chega, Portugal) parabenizou a AfD pela resistência à “imigração ilegal e descontrolada”. Santiago Abascal (Vox, Espanha) elogiou o “resultado espetacular que é ótimo para a Alemanha e para a Europa”. Matteo Salvini (Itália) saudou o “sucesso estrondoso que evidencia a forte procura de mudança, segurança e emprego”. O ex-presidente dos EUA, Donald Trump, também compartilhou um gráfico em apoio à AfD.

