Corte tímido de juros da Selic frustra setor produtivo
A recente redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic, foi recebida com ceticismo por representantes da indústria e dos trabalhadores. As entidades consideraram a medida tímida, argumentando que ela não alivia significativamente a situação financeira de empresas e famílias. A decisão foi anunciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que ajustou a Selic de 14% para 13,75% ao ano.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) expressou em nota que o Copom demonstrou excesso de prudência, apesar da queda consistente na inflação corrente, que atingiu 4,22% nos 12 meses até agosto, e da melhora nas expectativas de mercado. O presidente da CNI, Ricardo Alban, ressaltou a importância de o Banco Central manter a trajetória de queda, destacando que esta é a quinta redução consecutiva. No entanto, a CNI avalia que a política monetária permanece austera, com o juro real em torno de 9% ao ano, cerca de quatro pontos percentuais acima da taxa neutra estimada pelo Banco Central.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) classificou a queda como um passo importante, porém insuficiente. Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo e diretora executiva da CUT, destacou que a Selic impacta diretamente o custo de empréstimos e financiamentos, e que uma trajetória de crédito mais barato é desejável. A CUT considera que a desaceleração dos preços e da economia abre espaço para que o Banco Central avance nos cortes. Similarmente, a Força Sindical definiu o corte de 0,25 ponto percentual como muito tímido, um “balde de água fria” para a economia no quarto trimestre e uma oportunidade perdida de “redução drástica da taxa de juros”. A central critica a política do Banco Central por concentrar renda em banqueiros e especuladores. A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) viu a redução como positiva, mas enfatizou a necessidade de continuidade e alertou que a Selic em patamar elevado impõe desafios ao setor produtivo, limitando a retomada do crédito e dos investimentos. O presidente da CBIC, Eduardo Almeida, pontuou que a taxa, uma das mais altas do mundo, evidencia o desafio dos empresários brasileiros, especialmente na construção civil, que depende de crédito e tem ciclo produtivo longo.

