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Fifa: Agentes do FBI e SWAT invadem hotel Baur au Lac em Zurique

Fifa: Agentes do FBI e SWAT invadem hotel Baur au Lac em Zurique

Fifa: Agentes do FBI e SWAT invadem hotel Baur au Lac em Zurique

A lenda conta que o problema do cartola na banheira de sua suíte no hotel Baur au Lac, em Zurique, foi um evento milagroso, uma prova de que a vida não se explica apenas pela matéria. Havia uma forte carga espiritual e mística nos salões do hotel em 27 de maio de 2015, quando o FBI e a SWAT chegaram em formação militar para prender dirigentes da Fifa. O que se seguiu foi uma sucessão de bizarrices e fatos anedóticos.

Nunca se confirmou se o cartola escapou da prisão americana porque, num lance considerado divino, ligou para a recepção dizendo “tengo un problema em la tina” e mudou de quarto. Ao chegarem onde ele deveria ser detido, encontraram apenas “una tina com problema” inundando o aposento.

José Maria Marin, octogenário, cruzou os salões onde na véspera degustava vinhos caros, vestindo pijama e pantufas de pelúcia com pompom, de fina qualidade, diga-se de passagem. Eduardo Li, da Costa Rica, foi tratado com mais gentileza pela gendarmeria, que o envolveu em lençóis egípcios de inúmeros fios para cobri-lo enquanto era algemado, protegendo sua identidade em um momento constrangedor.

Marco Polo del Nero tentou se desvencilhar da situação, saindo em meio à confusão como se nada tivesse a ver com os fatos. Cruzou o salão do Baur au Lac cumprimentando os presentes, e quase recomendou aos agentes do FBI que o procurassem para uma pizza em São Paulo. Passou despercebido, o que parece difícil de acreditar. Renegou o colega Marin, que era preso à sua frente, com um olhar que intimidava, como que dizendo “cada um com seus problemas”.

Lembrou-se certamente da lição de Pinheiro Machado, da República Velha: “Vamos sair. Nem tão devagar que pareça afronta, nem tão depressa que pareça medo.” A estratégia deu certo. Pegou um táxi para o aeroporto, pagou a passagem em dinheiro vivo e deixou Zurique. O jornalismo falhou ao não investigar o motorista que o ajudou a fugir.

Resta a lenda de Alejandro Buzarco, o argentino que guardava milhões dos direitos de transmissão de torneios sul-americanos. Diante do caos, permaneceu onde estava, tomando café da manhã no saguão, como se nada ocorresse. Enquanto seus pares eram algemados, ele permaneceu imóvel, pedindo mais café, em um ato que não levantou suspeitas. Escapou, deixando a pergunta de como o FBI não possuía fotos para reconhecimento facial em tempo real.

No Brasil, um empresário correu para o banheiro de sua empresa ao ouvir batidas na porta, ficando de cócoras, acreditando que iriam embora. Ao entrar, o agente, informando que era busca e apreensão e não prisão, disse: “A partir de hoje, o senhor não pode mais sair do Brasil. Se sair, é grampo. O senhor tem uma vida invejável. Mas não deve ser fácil para alguém com suas posses nunca mais poder ir para Paris.” Foi uma cena quase digna de Casablanca.

Talvez muito do que ocorreu naquele dia seja lenda, mas as lendas sobre o 27 de maio que mudou o futebol mundial são, na verdade, bem melhores do que os desdobramentos posteriores. A pantufa pelo salão, a banheira errada, o café tomado como se fosse estátua – o que veio depois não foi tão espetacular.

Gianni Infantino assumiu no lugar de Sepp Blatter e hoje vive de cócoras para Donald Trump. Na CBF, a sucessão tem sido monótona, com dirigentes saindo pelos fundos, de José Maria Marin a Rogerio Caboclo e Ednaldo Rodrigues, sem páginas de orgulho. Atualmente, cartolas são movidos por emendas parlamentares, com famílias instaladas e um instituto privado criado para receber verba destinada à federação, fundado pelo próprio presidente da entidade.

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