Amamentação: Benefício cardíaco para mães em 11%
A amamentação pode reduzir em cerca de 11% a probabilidade de uma mulher desenvolver doenças cardiovasculares, em comparação com aquelas que não amamentam. A informação é um destaque da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).
Essa diminuição nos fatores de risco está diretamente ligada ao período de lactação, que promove um reset metabólico no organismo materno. Durante a gestação, alterações hormonais elevam a resistência à insulina e os níveis de lipídios e colesterol (principalmente o LDL).
Na fase de amamentação, a produção de leite auxilia na regulação do açúcar, melhora o metabolismo glicídico e aumenta a sensibilidade à insulina. O corpo utiliza a glicose para produzir leite, reduzindo o risco de diabetes e aliviando o sistema cardiovascular ao diminuir a pressão arterial e a frequência cardíaca.
A lactação ativa a liberação de hormônios como ocitocina, prolactina e grelina, que atuam na proteção do miocárdio contra lesões cardíacas. A ocitocina, conhecida como “hormônio do amor”, oferece cardioproteção extra ao ativar receptores cerebrais e vias de geração de energia celular.
A liberação de ocitocina durante a lactação promove a melhora da função endotelial das artérias e causa vasodilatação, melhorando a circulação sanguínea. Essas alterações hormonais ajudam a ‘resetar’ as mudanças fisiológicas da gestação, resultando na redução de riscos.
A Sociedade Brasileira de Cardiologia ressalta que, na gravidez, o corpo feminino acumula reservas de gordura que são utilizadas durante a lactação. Esse processo diminui diretamente o risco de doenças cardíacas e infarto.
As doenças cardiovasculares representam 33% da mortalidade feminina, um índice superior aos óbitos por câncer de mama. Embora o câncer de mama seja frequentemente percebido como a principal causa de morte entre mulheres, as doenças cardiovasculares são sete vezes mais letais.
Fatores de risco como diabetes, hipertensão e sedentarismo são comuns a ambos os sexos, mas podem ser mais severos em mulheres. Adicionalmente, existem riscos específicos para o sexo feminino, incluindo menstruação precoce ou tardia, menopausa precoce, endometriose, ovários policísticos, uso de contraceptivos orais e alterações gestacionais como hipertensão ou diabetes gestacional.
O Dia Internacional da Amamentação, comemorado em 1º de setembro, e a Semana Mundial do Aleitamento Materno, com o tema “Amamentação para um começo de vida sustentável: Fortaleça o que funciona”, reforçam a importância de proteger, promover e apoiar o aleitamento materno para um futuro mais saudável.

