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Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty

Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty

Angela Davis cita pensadores brasileiros e critica gentrificação em Paraty

Em sua participação na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), a ativista e pesquisadora Angela Davis destacou a dimensão cultural da luta pela liberdade do movimento negro, ressaltando o poder da música, arte e literatura para alcançar novas compreensões.

Durante o evento público e gratuito no Sesc Caborê, Davis denunciou a gentrificação e o racismo ambiental em comunidades pobres de Paraty, criticando a expulsão de moradores de terras ancestrais em nome do lucro e alertando sobre a falta de futuro para jovens em um planeta sob exploração capitalista.

A ativista comparou a escritora mineira Conceição Evaristo a ícones como Nina Simone e Toni Morrison, ressaltando a importância do conceito de “escrevivência” e a necessidade de que pessoas negras contem suas próprias histórias, lembrando que a experiência branca não é universal.

Angela Davis também abordou as contribuições de Beatriz Nascimento, com sua noção de “eu sou atlântica”, e de Lélia Gonzalez, citando o conceito de “Amefricanidade” que integra a luta negra com a dos povos indígenas. Ela criticou os trilionários, afirmando que o capitalismo é o principal motor da exploração e destruição de recursos e seres humanos.

Davis alertou para a ascensão de governos autoritários, declarando que o povo é mais forte que o fascismo, e mencionou a importância de não permitir a eleição de candidatos alinhados a essa ideologia. A redução da jornada de trabalho e a inclusão de pessoas negras nas universidades foram outros temas abordados, com a ativista defendendo mais tempo de lazer e acesso à cultura para trabalhadores.

Rememorando sua prisão sob falsas acusações, Angela Davis enfatizou o poder da luta coletiva e a evolução pessoal que a experiência lhe proporcionou. Ela também reafirmou seu compromisso com a luta pela Palestina e comentou sobre a violência de gênero, destacando a vulnerabilidade de mulheres negras e mulheres trans negras a formas mais perversas de agressão, incluindo aquelas perpetradas pelo Estado.

A ativista prestou homenagem à vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, e agradeceu o trabalho de sua irmã, Anielle Franco, em dar continuidade ao seu legado. Davis ressaltou que a violência contra a mulher, especialmente contra mulheres negras e trans negras, é uma das mais perversas e necessita de quantificação para embasar ações.

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