Anistia Internacional acusa EUA, Israel e Rússia de atacar multilateralismo
A Anistia Internacional acusou Estados Unidos, Israel e Rússia de ataques predatórios contra o multilateralismo, o direito internacional e a sociedade civil em seu relatório anual sobre a situação dos direitos humanos no mundo. O documento avalia 144 países.
Segundo a secretária-geral da organização, Agnès Callamard, esses países estão sentenciando o fim do sistema multilateral por este não servir à sua hegemonia e controle. O relatório detalha as ações de cada nação sob acusação.
Israel é acusado de continuar o genocídio contra a população palestina em Gaza, manter um sistema de apartheid, acelerar a expansão de assentamentos ilegais na Cisjordânia ocupada e elogiar a violência contra palestinos, incluindo detenções arbitrárias e tortura.
Os Estados Unidos, conforme a Anistia, realizaram mais de 150 execuções extrajudiciais, bombardearam embarcações no Caribe e no Pacífico e sequestraram o presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro de 2026. A organização também aponta o uso ilegítimo da força contra o Irã, que provocou retaliações iranianas.
A Rússia é denunciada por intensificar ataques aéreos contra infraestruturas civis essenciais da Ucrânia. O relatório menciona a morte de mais de 100 crianças em um ataque ilegal dos Estados Unidos contra uma escola no Irã, destacando o risco à vida e saúde de milhões de civis e os danos ambientais previsíveis.
A União Europeia e a maioria dos estados europeus são criticados por manterem uma postura conciliatória diante dos ataques ao direito internacional e mecanismos multilaterais, sem deter o genocídio de Israel ou impedir a transferência de armas que fomentam crimes.
No Brasil, o relatório aponta a violência policial como um ponto crítico, com destaque para uma operação em favelas do Rio de Janeiro em outubro de 2025 que resultou na morte de mais de 120 pessoas, a maioria negra e em situação de pobreza, com relatos de execuções extrajudiciais. A violência de gênero e contra pessoas LGBTI também permanecem alarmantes, com impunidade e falta de proteção estatal.
