Brasil registra dois milhões de imigrantes e refugiados
O Brasil abriga atualmente pouco mais de 2 milhões de imigrantes, incluindo residentes, temporários, refugiados e solicitantes de refúgio, provenientes de 200 nacionalidades. O 12º Relatório Anual do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), apresentado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), destaca que o fluxo é composto majoritariamente por venezuelanos, haitianos, cubanos e angolanos, com a projeção de 680 mil venezuelanos residentes no país até o início de 2026.
O documento visa subsidiar a nova Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA), instituída pelo decreto nº 12.657/2025. O diretor do departamento de Migrações do MJSP, Victor Semple, confirmou a criação do Plano Nacional de Imigração, Refúgio e Apatridia. Davide Torzilli, representante da Acnur no Brasil, ressaltou que a nova política brasileira é um modelo mundial de governança baseada em direitos humanos e cooperação internacional.
No mercado de trabalho, o número de imigrantes com carteira assinada cresceu 54% entre 2023 e 2025, totalizando 414,96 mil vínculos formais. O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, alertou para a necessidade de qualificação profissional e reconhecimento de diplomas, visando evitar a exploração laboral. Paralelamente, o CadÚnico registrou 650.683 migrantes em 2024, destacando um aumento significativo no número de crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, que subiu para 188.531 no mesmo período.
Em relação à educação, o país observou um aumento de 437% nas matrículas de estudantes imigrantes na educação básica desde 2010, atingindo 224.924 alunos. Apesar do acesso ampliado, o relatório aponta desafios de inclusão linguística e adaptação pedagógica. O estudo recomenda a descentralização das políticas de acolhimento e o fortalecimento do pacto federativo, incentivando uma colaboração técnica e financeira entre União, estados e municípios para garantir direitos equitativos em todo o território nacional.
