Brasil registra dois milhões de trabalhadores por aplicativos
Em 2025, o Brasil alcançou a marca de 2 milhões de pessoas exercendo atividades profissionais por meio de plataformas digitais. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo IBGE, esse grupo representa 1,9% da população ocupada no país. A categoria abrange motoristas de transporte de passageiros, entregadores e prestadores de serviços profissionais, sendo que o setor de transporte, armazenagem e correios detém a maior concentração, com 75% de participação.
A análise aponta uma disparidade nas condições de trabalho: enquanto o rendimento médio mensal dos plataformizados é de R$ 3.147, equivalente ao dos trabalhadores convencionais, a carga horária é significativamente maior. Os trabalhadores de apps cumprem uma média de 44,7 horas semanais, contra 39,3 horas dos demais, resultando em um rendimento-hora inferior. Além disso, a maioria opera de forma autônoma, apresentando maior vulnerabilidade à informalidade e menor cobertura previdenciária.
O analista Gustavo Geaquinto Fontes ressalta que essa classe possui uma dinâmica distinta do autônomo tradicional, dada a dependência das plataformas para definir preços, prazos e métodos de pagamento. O debate sobre a relação entre trabalhadores e empresas ocorre em um cenário jurídico complexo, com o Supremo Tribunal Federal discutindo o reconhecimento de vínculo empregatício. Em 2025, o número de trabalhadores que utilizam aplicativos como ocupação principal atingiu 1,8 milhão, registrando alta de 9,1% em um ano.

