Cardiologista alerta para controle de colesterol na infância
Em celebração ao Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, o vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Renato Jorge Alves, enfatiza que a prevenção é a chave para evitar complicações cardiovasculares.
Um estudo recente recomenda que todos os indivíduos realizem a dosagem de colesterol aos 10 anos de idade. O cardiologista sugere um exame preventivo de colesterol juntamente com o de glicose.
A adoção de hábitos saudáveis é crucial para evitar fatores de risco adicionais. Em caso de níveis elevados de colesterol, o acompanhamento médico e a adesão ao tratamento prescrito são essenciais. Alves alerta contra informações médicas duvidosas na internet que recomendam a interrupção do tratamento, o que aumenta o risco de complicações.
O colesterol elevado está associado a hábitos de vida que afetam não apenas o coração, mas o metabolismo geral. A dieta carnívora, baseada exclusivamente em carne e que exclui alimentos de origem vegetal, não é indicada para a redução do colesterol, pois é rica em gordura saturada, elevando o LDL (‘colesterol ruim’).
Recomenda-se evitar o consumo excessivo de carne vermelha e gorduras saturadas e trans. A alimentação saudável deve ser equilibrada, com proteínas, carboidratos e gorduras em quantidades adequadas. Mudanças na dieta podem reduzir o colesterol em cerca de 5% a 10%, sendo que aproximadamente 70% da substância é produzida pelo próprio organismo.
Níveis de colesterol acima de 300 miligramas por decilitro (mg/dL) podem indicar uma forte predisposição genética, exigindo tratamento medicamentoso, além de mudanças no estilo de vida.
A prática regular de atividade física é fundamental, com a recomendação de 150 a 300 minutos semanais. A qualidade do sono também influencia o metabolismo, pois dormir mal pode elevar o colesterol e triglicérides, associados à inflamação das artérias. O estresse também pode agravar a pressão arterial e o controle do colesterol.
Em casos de hipercolesterolemia de origem genética, o tratamento com medicamentos, como estatinas, prescritos por um médico, é indispensável. O paciente não deve interromper o tratamento, mesmo com a disponibilidade de versões genéricas mais acessíveis das estatinas. Alves lamenta a disseminação de desinformação sobre esses medicamentos nas redes sociais.
As evidências científicas sobre os benefícios das estatinas são robustas há mais de três décadas, demonstrando redução de infarto, AVC e mortalidade por doenças cardiovasculares. O colesterol elevado permanece como um dos principais fatores de risco para essas doenças.
A hipercolesterolemia familiar, uma doença genética, pode levar a níveis extremamente elevados de colesterol na infância, resultando em infartos precoces. O diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para aumentar a sobrevida desses pacientes.
A obesidade é um fator de risco crescente para doenças cardiovasculares, associada à síndrome metabólica, diabetes, hipertensão e inflamação crônica. Outras doenças inflamatórias crônicas também podem afetar as artérias, embora em menor escala.

