Carro elétrico: custo operacional até 4x menor que combustão
O mercado de veículos eletrificados no Brasil registrou um crescimento dez vezes superior ao avanço total das vendas de automóveis em 2025. A informação foi divulgada por Ricardo Bastos, presidente da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), durante entrevista ao Podcast Canaltech.
Segundo o executivo, o setor de veículos elétricos e híbridos experimenta uma alta superior a 100% no ano atual em comparação ao período anterior. A adoção desses modelos também se tornou uma decisão econômica vantajosa, com o custo para rodar com eletricidade representando cerca de um terço ou um quarto do valor gasto com combustíveis fósseis.
“O carro elétrico é mais simples, ele consegue ter uma manutenção menor”, afirma o presidente da ABVE, citando a ausência de trocas de óleo e o menor desgaste das pastilhas de freio. O mercado atual oferece diversificação de tecnologias, com modelos elétricos puros, híbridos e híbridos plug-in. Os preços iniciais, que antes se concentravam na faixa de R$ 500 mil a R$ 700 mil, agora partem de valores próximos a R$ 100 mil.
Bastos ressalta que a tendência estrutural da eletrificação está consolidada no país e “não vai voltar mais atrás, não vai haver um abandono da eletrificação”. A infraestrutura de recarga acompanha a expansão da frota, sendo o segmento de instalação de pontos de recarga o que mais cresce atualmente dentro da associação.
Uma nova legislação no estado de São Paulo estabeleceu o direito de instalação de equipamentos de recarga em garagens e condomínios, condicionada a normas de segurança do Corpo de Bombeiros. O modelo regulatório paulista está em processo de adoção por outros estados brasileiros.
O desgaste das baterias, frequentemente apontado como um entrave, foi abordado pelo executivo. De acordo com Bastos, sistemas de refrigeração e controle garantem operação estável, evitando superaquecimento. A estimativa é que a bateria demore mais de 10 anos para atingir 80% de sua capacidade original em veículos de uso pessoal não intensivo. O padrão de mercado no Brasil estabelece oito anos de garantia para as baterias. O custo atual de substituição do componente representa cerca de 10% do valor total do automóvel, refutando a ideia de que a peça custaria metade do carro.
