Crise econômica e corrupção desafiam governo de Javier Milei
O governo do ultraliberal Javier Milei atravessa seu momento mais crítico na Argentina, marcado por denúncias de corrupção, queda de popularidade e uma persistente estagnação na atividade econômica e industrial.
Após uma redução temporária no final de 2023, a inflação voltou a acelerar, alcançando 3,4% em março de 2026. A retração econômica é evidenciada pela queda de 2,6% na atividade em fevereiro, em comparação a janeiro, e por uma redução de 4% na produção industrial no mesmo período, acumulando baixa de 8,7% nos últimos 12 meses.
O economista Paulo Gala, da FGV-SP, classifica o plano de Milei como simplista, alertando para a desindustrialização e o risco de uma nova crise cambial. Segundo o especialista, o peso sobrevalorizado prejudica a manufatura, enquanto o governo recorre a empréstimos em dólares para sustentar a moeda local.
A popularidade do presidente foi severamente impactada por escândalos, como a investigação de suposto enriquecimento ilícito do chefe de gabinete Manuel Adorni. Pesquisas da Atlas Intel apontam 63% de desaprovação, enquanto dados da consultoria Zentrix revelam que 66,6% da população sentem que a promessa anti-casta foi rompida.
O cientista político Leandro Gabiati observa que, embora a oposição permaneça desorganizada, o governo enfrenta desgaste crescente. Paralelamente, a agência Fitch Rating elevou a nota de crédito da Argentina para B-, um movimento que gerou otimismo no mercado financeiro, mas que especialistas consideram insuficiente para reverter o quadro estrutural adverso.
O ambiente político também tem sido marcado por tensões com a imprensa, incluindo a recente proibição temporária de acesso de jornalistas à Casa Rosada, medida que gerou críticas sobre possíveis violações à liberdade de imprensa no país.
