Crise migratória em Ceuta gera divergências geopolíticas internacionais
Especialistas em relações internacionais divergem sobre a responsabilidade do Marrocos na recente crise migratória em Ceuta, enclave espanhol no território africano. O fluxo de 50 mil imigrantes resultou em cerca de 100 mortos, desencadeando intensos debates sobre a influência do governo marroquino na movimentação das pessoas.
O professor Nuno Carlos de Fragoso Vidal, da UFRJ, sustenta que a imigração em massa dificilmente ocorreria sem a anuência de Rabat, sugerindo um desdobramento das tensões envolvendo o Saara Ocidental e o apoio espanhol a grupos contrários aos interesses marroquinos. Em contraponto, o professor Mohammed Nadir, da UFABC, argumenta que não há indícios de envolvimento direto do governo marroquino, atribuindo o fenômeno ao desemprego juvenil e à falta de perspectivas no país.
O ex-senador italiano José Luís Del Roio aponta para uma possível articulação externa, mencionando Israel como suspeito, enquanto relatórios de inteligência espanhóis indicam que o Marrocos pode ter adotado uma postura de oportunismo político. O governo da Espanha, por sua vez, tem buscado cooperação com Rabat para deportações, enquanto o porta-voz Rachid El Khalfi, do ministério do interior marroquino, atribui a crise à disseminação de notícias falsas nas redes sociais.

