Cuba rebate acusações americanas contra Raúl Castro
O governo de Cuba classificou como um ato desprezível e infame de provocação política as acusações dos Estados Unidos contra Raúl Castro, afirmando que Washington carece de legitimidade e jurisdição para tal ação. Segundo Havana, a acusação se baseia na manipulação desonesta do incidente que levou à queda de aeronaves sobre o espaço aéreo cubano em fevereiro de 1996.
Havana destacou que os Estados Unidos omitem denúncias formais apresentadas por Cuba ao Departamento de Estado, à Administração Federal de Aviação dos EUA e à Organização da Aviação Civil Internacional sobre mais de 25 violações graves e deliberadas do espaço aéreo cubano pela organização anti-castrista Hermanos al Rescate. A resposta cubana, segundo o governo, constituiu um ato de legítima defesa amparado pela Carta das Nações Unidas, pela Convenção de Chicago sobre Aviação Civil Internacional de 1944, e pelos princípios de soberania aérea e proporcionalidade.
O governo cubano considerou um grande cinismo as acusações, lembrando que os Estados Unidos foram responsáveis pelo assassinato de cerca de 200 pessoas e pela destruição de 57 embarcações em águas internacionais, com o uso desproporcional da força militar. As autoridades da ilha classificaram a acusação contra Raúl Castro, de 94 anos, como ilegítima e atribuíram-na a tentativas desesperadas de elementos anticubanos para construir uma narrativa mentirosa contra a ilha, mediante o reforço de medidas coercitivas unilaterais e ameaças de agressão armada.
A acusação contra Castro surgiu em meio a crescente pressão da administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, contra o governo cubano, que inclui um bloqueio petrolífero imposto há cinco meses e ampliação de sanções econômicas. Essas ações, somadas à captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, aprofundaram a crise econômica e humanitária na ilha, que enfrenta desabastecimento de petróleo e problemas energéticos.
