Desemprego reflete desigualdade estrutural entre raças no Brasil
A taxa de desemprego entre a população preta atingiu 7,6% no primeiro trimestre de 2026, superando a média nacional de 6,1%. O índice é 55% superior ao registrado entre os brancos, que apresentaram taxa de 4,9%. Este cenário de desigualdade, documentado pela Pnad Contínua do IBGE, é superior ao observado no último trimestre de 2025 e indica, segundo o analista William Kratochwill, a persistência de um problema estrutural no mercado de trabalho brasileiro.
A disparidade também afeta a população parda, cuja taxa de desemprego é de 6,8%, mantendo-se 38,8% acima da verificada entre os brancos. Além das dificuldades de colocação profissional, o levantamento destaca uma vantagem dos trabalhadores brancos quanto à formalidade. Enquanto a informalidade média nacional é de 37,3%, o índice entre brancos é de 32,2%, contrastando com os 40,8% entre pretos e 41,6% entre pardos.
Sob a perspectiva de gênero, a desocupação entre as mulheres (7,3%) é 43,1% maior que a dos homens (5,1%). No recorte etário, jovens de 14 a 17 anos sofrem com a maior taxa de desocupação, atingindo 25,1%, enquanto a população com 60 anos ou mais apresenta o menor índice, com 2,5%. Segundo Kratochwill, a alta taxa juvenil reflete a busca por ocupações temporárias de menor estabilidade para o início da trajetória profissional.
