Desertificação no Brasil afeta 39 milhões e compromete recursos hídricos
A desertificação, um processo de degradação ambiental que leva à perda da capacidade produtiva do solo e à escassez de água, afeta diretamente 39 milhões de brasileiros. Este fenômeno, que pode levar à transformação de terras antes produtivas em áreas desérticas, é impulsionado por atividades humanas como desmatamento e agricultura inadequada, além de variações climáticas.
Segundo a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), cerca de 18% do território brasileiro está suscetível à desertificação. Entre 2000 e 2020, a área afetada aumentou em 170 mil km², o equivalente aos territórios de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. O problema se concentra nos nove estados do Nordeste, mas também atinge áreas de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul, caracterizadas por climas subúmido seco, semiárido e árido.
A Caatinga é o bioma mais afetado, com 11% de sua área em situação crítica. Proteger este bioma é crucial para a biodiversidade, as populações locais e o clima, uma vez que a Caatinga atua como um importante sumidouro de carbono, armazenando 72% de todo o carbono no solo, e tem eficiência de sequestro de carbono superior a outros biomas brasileiros. Um estudo publicado em 2025 na Science of the Total Environment confirmou que a Caatinga foi responsável por cerca de 50% do sequestro líquido de carbono do Brasil em 2022.
Representantes da sociedade civil e órgãos governamentais brasileiros participarão da 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) na Mongólia, entre 17 e 28 de agosto, para discutir obstáculos e soluções. A coordenadora executiva da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Ivi Aliana, ressalta que as populações vulneráveis e comunidades tradicionais são as mais atingidas. Aldrin Martin Pérez-Marín, pesquisador do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), enfatiza a importância da Caatinga como parte da solução para a crise climática global.
Em resposta à degradação, o Brasil, signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) desde 1997, lançou o Plano de Ação Brasileiro de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAB-Brasil 2025–2043) e o Programa Recaatingar. Este último visa recuperar 10 milhões de hectares de terras degradadas na Caatinga em 20 anos, promovendo segurança hídrica, restauração e adaptação às mudanças climáticas com base no conhecimento tradicional. Iniciativas como a construção de cisternas, programas de captação de água da chuva e o fortalecimento de sementes adaptadas, promovidos pela ASA, também são fundamentais para mitigar os efeitos da desertificação.

