Desigualdade racial e violência em dados estatísticos nacionais
O Atlas da Violência 2026, elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), aponta que as desigualdades estruturais e o preconceito racial mantêm a violência letal contra a população negra em patamares alarmantes no Brasil. Somente em 2024, foram contabilizados 32.820 homicídios de pessoas negras, representando 77% do total de mortes violentas registradas no ano, com uma taxa de 27,3 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes negros, o que equivale a 89,9 assassinatos por dia.
Em comparação, o grupo de não negros, composto por brancos, amarelos e indígenas, totalizou 9.234 homicídios, com uma taxa de 10,1 mortes por 100 mil habitantes. Segundo o levantamento, um cidadão negro tem 2,7 vezes mais chances de ser vítima de homicídio do que um não negro. Em estados como Alagoas, esse risco relativo chega a ser 23,3 vezes maior, seguido pelo Amapá (16,7) e Sergipe (6,8). Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas e técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, ressaltou que a violência está em ascensão contra as minorias no país.
O relatório também destaca um cenário crítico de vulnerabilidade para outros grupos. A violência contra a população indígena apresentou um crescimento na taxa de homicídios em 2024 (24,6 por 100 mil), com casos alarmantes no Amazonas, onde o número de mortes dobrou, e na Bahia. Simultaneamente, o Atlas evidencia que o Estado brasileiro falha em registrar sistematicamente a motivação de crimes contra a população LGBTQIA+, dificultando a criação de políticas públicas, enquanto as notificações de violência contra pessoas com deficiência, especialmente mulheres com deficiência intelectual, revelam números preocupantes de abusos sexuais e domésticos.
