Disputa entre China e Estados Unidos na África
O Dia da África, celebrado nesta segunda-feira (25), destaca o papel do continente no cenário global, marcado pela intensa disputa de influência entre a China e os Estados Unidos. Enquanto a China se consolidou como o principal parceiro comercial da região há 17 anos, com US$ 295 bilhões comercializados em 2024, os Estados Unidos buscam ampliar sua presença através de investimentos em infraestrutura e acesso a minerais críticos.
A cooperação chinesa, exemplificada pelo Parque Industrial PK24 na Costa do Marfim e pela Nova Rota da Seda, atraiu US$ 61,2 bilhões para o continente em 2025. Segundo a professora Elga Lessa de Almeida, da UFBA, a abordagem diplomática e econômica chinesa é vista como mais vantajosa por lideranças locais, ao permitir maior autonomia nas escolhas de investimento, diferentemente da postura militarizada historicamente adotada por potências ocidentais.
Em resposta à hegemonia chinesa, o governo de Donald Trump redefiniu a política externa dos EUA para a África, priorizando comércio e investimentos em vez de ajuda humanitária. Um exemplo dessa transição é o aporte de US$ 600 milhões no Corredor de Lobito, em Angola. Apesar disso, o pesquisador Eden Pereira Lopes da Silva, do NIEAAS, alerta que a eficácia dessas parcerias depende de como os países africanos, através de mecanismos como a União Africana e a Agenda 2063, conseguirão converter esse fluxo de capital em soberania e desenvolvimento estrutural de longo prazo.
