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Documentário explora papel feminino nas religiões

Documentário explora papel feminino nas religiões

Documentário explora papel feminino nas religiões

Em um contexto global de debates intensificados sobre igualdade de gênero, violência contra a mulher e liberdade religiosa, o documentário “Raízes do Sagrado Feminino”, dirigido por Carla Camurati, propõe uma análise aprofundada sobre como as religiões influenciaram historicamente a posição social das mulheres.

O filme, que estreia no Rio de Janeiro e em São Paulo, examina a influência de textos sagrados do Hinduísmo, Budismo, Judaísmo, Cristianismo e Islamismo na formação de estruturas sociais e culturais marcadas pelo patriarcado.

O documentário apresenta discussões com pesquisadores, teólogos, rabinos, historiadores e lideranças religiosas, incluindo Monja Cohen, Nilton Bonder, Mary Del Priore e Ivone Gebara. Eles abordam como narrativas religiosas foram historicamente utilizadas para justificar a exclusão e a submissão feminina, segundo Carla Camurati, o filme nasceu de um amplo processo de investigação acadêmica e histórica.

Camurati declarou que a intenção principal do longa é “iluminar lugares obscuros” que foram alterados ou omitidos em interpretações religiosas tradicionais ao longo dos séculos. A diretora observou a clara presença de estruturas patriarcais na formação das religiões, evidenciada durante a pesquisa e as pré-entrevistas, levantando a questão sobre o silenciamento do “sagrado feminino”.

O filme também identifica semelhanças entre diferentes religiões na forma como o feminino foi simbolicamente estruturado. Uma fala destacada é a da teóloga Ivone Gebara, que afirma: “É de nós, mulheres, que nasceu a experiência da liberdade”, uma declaração que, segundo Camurati, adicionou nova dimensão à reflexão do filme.

Camurati também ressalta interpretações contemporâneas presentes no filme, como a releitura da personagem bíblica Eva, associada ao conhecimento e não à culpa. “Ela escolhe o fruto do conhecimento. É uma leitura muito bonita”, comentou a cineasta.

“Raízes do Sagrado Feminino” busca discutir o alcance das estruturas espirituais na consolidação de hierarquias de poder entre homens e mulheres, sem adotar um tom de confronto religioso. “Raízes do Sagrado Feminino não pretende dividir. Pretende iluminar. Porque compreender as raízes é o primeiro passo para transformar o futuro”, explicou Carla Camurati.

Conhecida por dirigir “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”, um marco na retomada do cinema brasileiro nos anos 1990, Camurati retorna ao gênero documental após “Oito presidentes, 1 Juramento”. Em “Raízes do Sagrado Feminino”, ela explora séculos de história para debater a relação entre religião, poder e desigualdade de gênero. O documentário está em cartaz em cinemas de São Paulo e do Rio de Janeiro e tem previsão de lançamento em plataformas de streaming.

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