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Documentário revela dor da família atingida pelo césio-137

Documentário revela dor da família atingida pelo césio-137

Documentário revela dor da família atingida pelo césio-137

Um documentário lança luz sobre as devastadoras consequências do maior incidente radiológico do Brasil, ocorrido em Goiânia em 13 de setembro de 1987. O curta-metragem “Lourdes e Leide”, dirigido por Angelo Lima, conta a história de sofrimento de uma família marcada pela exposição ao césio-137, material radioativo encontrado em um aparelho de radioterapia abandonado.

O material foi descoberto por catadores de lixo em um prédio abandonado do Instituto Goiano de Radioterapia. Sem conhecimento dos perigos, o pó radioativo, que emitia um brilho azul intenso, foi manipulado, vendido e distribuído entre familiares e amigos. Os primeiros sintomas, como náuseas e vômitos, foram imediatos, mas a gravidade total do ocorrido se revelaria aos poucos.

A tragédia atingiu diretamente a família de dona Lourdes. Sua filha, Leide das Neves, com apenas 6 anos, foi a primeira vítima fatal, morrendo dias após ingerir as partículas. Ela precisou ser enterrada em um caixão de chumbo de 700 quilos. Posteriormente, outras três pessoas morreram em decorrência da exposição. Mais recentemente, Lucimar das Neves Ferreira, filho de dona Lourdes, que tinha 14 anos na época do acidente, também faleceu, agravando a dor da mãe.

O diretor Angelo Lima descreve o episódio como uma “tragédia silenciosa” e violenta, que desestruturou completamente a família. Além das perdas, os familiares sofreram com o estigma social, sendo discriminados e obrigados a se mudar diversas vezes. A exibição do documentário no Festival Bonito CineSur busca não apenas relatar o sofrimento, mas também fomentar a reflexão sobre a falta de preparo e humanidade da sociedade diante de tais eventos.

Na visão de Lima, a tragédia “poderia acontecer com qualquer um”, e a sociedade brasileira deveria estar mais preparada. Ele critica a falta de mudanças governamentais e o esquecimento rápido do episódio por parte da população, que, segundo o diretor, “quiseram esquecer rapidamente”. Uma exposição fotográfica complementar acompanha o festival, com imagens de Leide e de seu enterro, lembrando os momentos difíceis enfrentados pela família.

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