EUA e Irã: Negociações em Doha e tensões no Oriente Médio
Negociadores do Irã e dos Estados Unidos são esperados em Doha nesta semana, em meio a incertezas sobre a realização de um encontro. Disparos de mísseis de ambos os lados no fim de semana testaram o cessar-fogo provisório que busca encerrar uma guerra de quatro meses. O presidente dos EUA, Donald Trump, designou seu genro Jared Kushner e o enviado especial Steve Witkoff para liderar a delegação americana.
O Irã enviará uma delegação técnica ao Catar, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que a visita não tem relação com a presença americana e que nenhuma conversa está agendada. Essa divergência sublinha a fragilidade do acordo de 17 de junho, que suspendeu um conflito que afetou o fluxo global de petróleo pelo Estreito de Ormuz e gerou pressão política para Trump antes das eleições legislativas.
Os EUA e o Irã estabeleceram um prazo de 60 dias para implementar um memorando de entendimento de 14 pontos, visando prorrogar o cessar-fogo, discutir programas nucleares iranianos e negociar uma trégua permanente. O progresso tem sido lento, com acusações mútuas de violação dos termos. Após ataques dos EUA e de Israel ao Irã em 28 de fevereiro, o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio global de petróleo, ficou praticamente paralisado.
O fechamento da via navegável elevou os preços do petróleo e impulsionou a inflação global, impactando Trump antes das eleições de meio de mandato. Uma autoridade iraniana indicou uma possível reunião em Doha na terça-feira, focada na gestão do Estreito de Ormuz e na redução de tensões. Equipes técnicas de ambos os países devem se reunir separadamente com mediadores do Catar e do Paquistão na quarta-feira.
No recente acordo de cessar-fogo, o Irã comprometeu-se a garantir a passagem segura de navios pelo estreito. Contudo, o Irã também declarou a intenção de cobrar taxas de navios que utilizarem o estreito após o fim do prazo de 60 dias, o que gerou irritação em Washington. Os EUA acusaram o Irã de atacar navios comerciais, enquanto o Irã lançou mísseis contra instalações militares americanas no Kuweit e no Barein.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, anunciou que US$ 6 bilhões de ativos congelados no Catar serão liberados. Ele classificou o memorando, que inclui isenções de sanções americanas, como uma “grande vitória para o povo iraniano”. Os preços do petróleo registraram alta com o aumento das tensões. A situação também complicou os esforços para o fim dos combates no Líbano, com o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, expressando dúvidas sobre um acordo mediado pelos EUA. O acordo de cessar-fogo entre EUA e Irã inclui o fim das hostilidades no Líbano e a retirada das tropas israelenses do sul do país.
