EUA realizam audiências sobre práticas comerciais do Brasil
O Brasil está sob investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) em duas audiências públicas realizadas em Washington. O processo analisa supostas práticas comerciais desleais que podem resultar em uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros. A primeira investigação, iniciada em julho de 2025, abrange temas como comércio digital, Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao etanol e desmatamento ilegal.
A segunda frente de apuração, iniciada em março de 2026, engloba 60 países, incluindo o Brasil, e foca em falhas no combate ao trabalho análogo à escravidão. Representantes de diversos setores, como CNA, Cecafé, CNI, Unica, Embraer, Centrorochas e Sindifer, além do senador Flávio Bolsonaro, participam dos debates. A Centrorochas argumenta que a sobretaxa impactaria negativamente a própria economia estadunidense, dado que o Brasil exportou US$ 795 milhões em rochas naturais ao país no último ano.
O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, rebateu as conclusões preliminares do USTR. Em documento oficial, o Brasil sustenta que as práticas nacionais não restringem o comércio estadunidense e que não há nexo legal que justifique medidas unilaterais. O governo argumenta que o escritório comercial americano confunde discordâncias sobre escolhas soberanas brasileiras com supostos ônus ao comércio dos EUA.
