Ex-chefe da Samsung prevê fim da crise de chips em 2027
A crise global de semicondutores pode ter um desfecho mais próximo do que o mercado antecipa. Kye-hyun Kyung, ex-líder da divisão de semicondutores da Samsung, sugere que o cenário pode começar a mudar já no segundo semestre de 2027, impulsionado por um aumento significativo na produção chinesa de chips de memória.
Essa projeção surge em um momento particularmente sensível para a indústria. Recentemente, a Samsung enfrentou um conflito com milhares de trabalhadores na Coreia do Sul, com risco de greve em suas fábricas, justamente em um dos períodos de maior escassez de memória RAM dos últimos anos.
Em uma palestra na Academia Nacional de Engenharia da Coreia, Kyung destacou a rápida expansão da capacidade de produção de memória DRAM e NAND por fabricantes chinesas. Segundo ele, essa movimentação pode gerar um excesso de oferta a partir do final de 2027 ou início de 2028.
Nos anos recentes, a demanda crescente por inteligência artificial elevou consideravelmente o consumo de memórias avançadas em servidores, placas de vídeo e data centers. Isso impactou os estoques globais e contribuiu para a elevação nos preços de componentes como SSDs e módulos DDR5.
A expectativa agora é que a maior participação da China no mercado ajude a equilibrar a oferta e a demanda mais rapidamente do que o inicialmente previsto.
As previsões otimistas surgem em paralelo a uma grave crise trabalhista na Samsung, onde cerca de 48 mil funcionários ameaçam paralisação devido a disputas sobre bônus e participação nos lucros. A empresa já reduziu em até 50% a força de trabalho em algumas linhas de produção, o que analistas avaliam como um possível impacto temporário no fornecimento global de chips DRAM e NAND.
Outras empresas como SK Hynix e Micron Technology também emitiram alertas, indicando que a crise pode persistir até 2028 ou, em cenários mais pessimistas, até 2030. Apesar do discurso mais otimista do ex-executivo da Samsung, parte do mercado mantém a expectativa de demanda extremamente forte por inteligência artificial nos próximos anos.
