Família de Conceição dos Bugres expõe arte indígena no Rio
A obra da escultora brasileira de origem indígena Conceição Freitas da Silva Antunes (1914-1984), conhecida como Conceição dos Bugres, ganha destaque em uma nova exposição no Rio de Janeiro. Sua arte, focada em figuras indígenas entalhadas em madeira, consolidou-a como uma das mais importantes artesãs da Região Centro-Oeste, com suas peças sendo consideradas representativas da arte, cultura e identidade do Mato Grosso do Sul.
Após o falecimento de Conceição, seu marido Abílio Freitas da Silva e o filho Ilton Silva mantiveram a tradição. Atualmente, a continuidade da obra está a cargo do neto Mariano Antunes Cabral Silva, conhecido como Mariano Neto, cujos trabalhos são diretamente inspirados nas criações de sua avó.
Mariano Neto, ao lado de sua mãe, a também escultora Sotera Sanches, apresenta pela primeira vez no Rio de Janeiro a mostra “Sobre bugres e totens: a arte de Sotera Sanches e Mariano Neto”. A exposição acontece na Sala do Artista Popular do Museu de Folclore Edison Carneiro, parte do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), unidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A exposição teve início nesta quinta-feira (9) e pode ser visitada de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, e nos sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h, até o dia 9 de setembro. A entrada é gratuita. O catálogo e todas as obras expostas estão disponíveis para compra, seguindo um princípio de comércio justo, com os preços definidos pelos próprios artistas.
A pesquisadora da mostra, Flávia Klausing Gervásio, ressalta que a família continua a tradição dos bugres e que esta é a primeira vez que expõem no Rio. Mariano, que desde jovem auxiliou a avó, passou a se dedicar exclusivamente à produção dos bugres após o falecimento de Conceição e Abílio. Sotera Sanches, por sua vez, contribui com sua produção própria de totens, esculturas de rostos em madeira crua, complementando a exposição com peças de parede.
O trabalho de Conceição dos Bugres já havia sido documentado pelo Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular na década de 1970. Parte dessa documentação fotográfica do ateliê da artista, realizada na época, integra o catálogo da exposição. O Museu de Folclore Edison Carneiro, através do projeto Sala do Artista Popular, documenta e expõe artistas populares de todo o Brasil há mais de 40 anos, buscando sempre oferecer diversidade de regiões, técnicas e formatos de produção.
