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Fóssil de Pterossauro Preserva Tecidos Moles por 113 Milhões de Anos

Fóssil de Pterossauro Preserva Tecidos Moles por 113 Milhões de Anos

Fóssil de Pterossauro Preserva Tecidos Moles por 113 Milhões de Anos

Um novo mecanismo de fossilização capaz de preservar tecidos moles e até esteroides em um pterossauro do período Cretáceo, encontrado na Bacia do Araripe (CE), foi identificado por pesquisadores do Brasil, Austrália, Alemanha e Estados Unidos. O estudo inédito, baseado em análises avançadas de geoquímica, microscopia e tomografia 3D, revela que bactérias oxidantes de enxofre desempenharam papel decisivo na mineralização rápida do fóssil, garantindo sua preservação tridimensional excepcional.

O trabalho reuniu especialistas de 15 instituições internacionais e detalha análises de tomografia, geoquímica isotópica, microscopia eletrônica e espectrometria de massa. A professora titular da Cátedra John Curtin e diretora fundadora do Centro de Geoquímica Orgânica e Isotópica da Austrália Ocidental na Universidade Curtin, Klitin Grici, afirmou que as descobertas abrem uma nova janela para a formação de fósseis.

A pesquisa aponta que o processo ocorre em “efeito dominó”, onde a decomposição inicial do animal cria microambientes químicos que alimentam microrganismos específicos. Esses micróbios desencadeiam uma sequência de precipitações minerais que selam o fóssil antes que tecidos e biomoléculas se degradem. O professor Antônio Álamo Feitosa Saraiva, da Universidade Regional do Cariri, destaca que este trabalho comprova que a Bacia do Araripe continua revelando segredos extraordinários, reforçando a importância científica e patrimonial da região.

Os pterossauros eram répteis voadores que viveram ao lado dos dinossauros e foram os primeiros vertebrados a dominar o voo motorizado. O exemplar em questão, do grupo Anhangueridae, possuía cerca de 8 metros de envergadura. O professor Renan Bantim, Curador do Museu de Plácido Cidade Nuvens, onde o exemplar está depositado, forneceu esses detalhes. A parceria entre o Museu Nacional/UFRJ e a Universidade Regional do Cariri (URCA), atuando através do Instituto Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação – INCT Paleovert, tem sido fundamental para achados espetaculares e a pesquisa na fronteira do conhecimento, como evidenciado por esta colaboração liderada pela Universidade Curtin da Austrália.

O estudo foi publicado na revista iScience.

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