Garis transformam rotina puxada em sucesso nas maratonas
A rotina diária de um coletor de lixo, que começa antes do amanhecer, envolve quilômetros percorridos no asfalto e desvios de obstáculos urbanos. Foi nesse cenário desafiador que Johnatas Cruz e Fábio Jesus Correia encontraram na corrida de rua a paixão que os transformou em atletas profissionais. Em celebração ao Dia do Gari, o esporte ganha destaque ao relembrar suas histórias.
Johnatas Cruz, originário de São Pedro dos Ferros, mudou-se para São Paulo aos 12 anos. Após trabalhar como frentista, iniciou a carreira de coletor de lixo na capital. A partir de 2015, começou a competir em corridas de rua, conciliando os treinos com a jornada de trabalho noturna. Ele observou que o volume de corrida diária exigido pela profissão poderia ser uma vantagem, declarando: ‘As pessoas ali suportam um volume de corrida diário de 23km, 25km. Pensei: acho que vou me dar bem na corrida’.
A partir de 2022, a corrida se tornou o foco principal de Johnatas, trazendo resultados expressivos. Ele participou dos Jogos Pan-Americanos, onde foi o melhor brasileiro na maratona, com a quarta colocação. Na São Silvestre, destacou-se como o principal representante brasileiro por dois anos consecutivos, alcançando o sexto lugar em 2023 e o quarto em 2024.
Uma trajetória semelhante é a de Fábio Jesus Correia, natural de Monte Santo, Bahia. Ele deu seus primeiros passos na corrida descalço em sua cidade natal. Em 2019, mudou-se para São Paulo e passou a trabalhar como coletor de lixo, sem desistir do sonho esportivo. Fábio enfrentava duas horas de transporte público para treinar após o trabalho, mal conseguindo dormir devido ao cansaço.
Apesar das adversidades, Fábio se consolidou como um dos principais fundistas do Brasil, conquistando a medalha de bronze na São Silvestre em 2025, sendo o melhor representante do país. Ele utiliza sua visibilidade para reivindicar melhores condições de treinamento para as futuras gerações do atletismo brasileiro. ‘Muitas pessoas pensam que é só a parte financeira que precisa para erguer o atleta, mas eu acho que falta valorizar o espaço do treinamento’, desabafou, destacando os riscos de treinar nas ruas com tráfego e outros obstáculos.
