Goleiro Vozinha brilha e comemora empate histórico na Copa
Aos 40 anos e sem contrato ativo, o goleiro cabo-verdiano Vozinha se tornou uma celebridade mundial ao estrear na Copa do Mundo contra a Espanha. Sua performance foi crucial para o empate de 0 a 0, garantindo a ele o título de melhor jogador em campo, segundo a Fifa. O feito rendeu a Josimar José Évora Dias, o Vozinha, mais de 12 milhões de seguidores nas redes sociais e uma conexão especial com o público brasileiro.
Profissionalizou-se aos 25 anos, idade tardia para o futebol de alto rendimento. Vozinha espera que a visibilidade atual lhe renda um novo contrato, permitindo-lhe “ser feliz” em seus últimos anos de carreira. Além disso, ele almeja que a fama da seleção inspire jovens atletas de Cabo Verde a buscar melhores condições esportivas.
Em entrevista exclusiva, Vozinha compartilhou o clima da seleção após o empate histórico. “Tranquilo. Obviamente, que a malta ficou muito feliz pelo resultado, pelo esforço e pela exibição que conseguimos. Mas nós sabemos da qualidade do nosso grupo. Sabemos das nossas limitações também, mas sabemos que podemos competir com qualquer seleção”, declarou. Ele ressaltou a importância de competir e dignificar o nome de Cabo Verde, enfatizando que a jornada na Copa ainda é longa.
O goleiro comentou sobre o aumento expressivo de seguidores nas redes sociais. “Há muitas coisas que estão distorcidas”, disse, ao abordar notícias falsas sobre sua mãe. Explicou que ela, por ter receio de viajar e por não ter passaporte inicialmente, hesitou em acompanhá-lo aos Estados Unidos. Após a emissão do visto para o pai, ela se sensibilizou e agora está sendo providenciado seu visto, com a esperança de que ela o assista pessoalmente.
Vozinha detalhou seu início no futebol, influenciado pelo pai e pela paixão familiar. “Sempre gostei de ir à baliza e também gostava de jogar de central, mas, quando cheguei à idade dos infantis, o treinador disse que tinha que decidir entre a baliza ou ser jogador de campo. E, como eu sempre amei a baliza, comecei por lá.” O apelido “Vozinha” surgiu devido à sua natureza rebelde na infância e às queixas que fazia aos avós.
Sua trajetória profissional inclui passagens por clubes em Angola, Moldávia, Portugal e Chipre, onde jogou cinco anos no AEL Limassol. Após o término de seu contrato em maio, Vozinha se encontra como jogador livre, focado em representar Cabo Verde na Copa do Mundo.
O futebol transformou sua vida, permitindo-lhe ajudar a família e construir um lar para a mãe. “Tornou-me no que eu sou: uma pessoa muito humilde, uma pessoa muito respeitadora, amiga de todos, uma pessoa muito disciplinada e trabalhadora. E uma pessoa muito resiliente”, afirmou, destacando a gratificação de sua carreira, mesmo com o início tardio no profissionalismo aos 25 anos.
Sobre a influência brasileira, Vozinha mencionou o consumo de música de artistas como Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Cidade Negra, Revelação e Seu Jorge, demonstrando uma forte ligação cultural. Seus ídolos incluem Michel Preud’homme, Rogério Ceni, Chilavert, Buffon e Van der Sar, admirados por diferentes qualidades em campo.
Vozinha expressou gratidão pelo reconhecimento em seu país, algo que, segundo ele, é pouco. “Graças a Deus e ao esforço de toda a federação e de todos os jogadores, mesmo os anteriores, hoje em dia, a seleção, os Tubarões Azuis, têm um nome e já vemos muitas pessoas com a euforia, com o amor próprio, o orgulho de ser cabo-verdianos. As crianças se espelhando na gente.” Ele vê semelhanças culturais entre Brasil e Cabo Verde, como a alegria, o clima, as praias e o gosto por festas, além da língua portuguesa e da herança colonial.
Olhando para o futuro, seu principal objetivo é levar Cabo Verde o mais longe possível no Mundial. “Quiçá, eu abro portas para alguns mercados, onde me queiram mesmo com a minha idade e onde possa ser feliz”, ponderou sobre a possibilidade de atuar em campeonatos de maior dimensão. Ele expressou satisfação por estar na Copa, realizando um sonho e representando seu país com amor e dedicação.
Em relação aos próximos adversários, Uruguai e Arábia Saudita, Vozinha antecipa jogos difíceis. “O Uruguai é uma seleção que tem uma alma, uma garra, que é extraordinária. Uma seleção que já foi campeã mundial, com jogadores top mundiais.” Sobre a Arábia Saudita, lembrou da vitória contra a Argentina no último Mundial. “Mas temos que pensar em nós, entrar no campo como entramos com a Espanha, não vendo caras, não vendo nomes, e fazer o que tiver ao nosso alcance.”
Para finalizar, Vozinha enviou uma mensagem de agradecimento e carinho: “Obrigado mesmo, de coração. Estou de coração cheio. E continuem apoiando Cabo Verde.”
