IA no trabalho: Multa milionária por uso em contas pessoais
O uso de inteligência artificial (IA) no ambiente de trabalho por meio de contas pessoais pode expor empresas a riscos significativos, incluindo multas de até 2% do faturamento bruto anual, conforme estabelecido pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). O alerta foi feito por Victoria Luz, especialista em IA aplicada a negócios, durante entrevista ao Podcast Canaltech.
Luz destacou o uso de IA em contas pessoais como o “elemento de risco mais subestimado dentro do ambiente de tecnologia”. Ela identificou três categorias principais de exposição: a contaminação de modelo, onde dados sigilosos inseridos em ferramentas públicas podem treinar o modelo e influenciar respostas a terceiros; a persistência de dados em contas pessoais, que permanecem acessíveis ao funcionário mesmo após a mudança de empresa; e falhas de servidor, como vazamentos de conversas ocorridos em incidentes da OpenAI.
Um estudo da FGV Direito Rio analisou sete plataformas de IA generativa no Brasil e constatou que nenhuma atende integralmente aos 14 critérios mínimos da LGPD, apresentando falhas como ausência de política de privacidade em português e omissão sobre os direitos dos titulares de dados. Desabilitar o uso de dados para treinamento do modelo, medida frequentemente adotada, resolve apenas o risco de contaminação, segundo Luz. A responsabilidade legal recai sobre a empresa, e bloqueios na rede corporativa são insuficientes, pois funcionários podem usar redes móveis. A adoção de planos corporativos e a inserção de dados genéricos em vez de informações confidenciais são recomendadas.

