Imigrantes marroquinos em direção aos enclaves de Ceuta
A Associação Marroquina de Direitos Humanos (AMDH) responsabilizou o Estado do Marrocos pelo êxodo migratório de mais de 50 mil pessoas em direção a Ceuta e Melilla. Segundo dados governamentais, quase 100 pessoas morreram no percurso.
A organização aponta que o movimento reflete o fracasso das políticas estatais, o desemprego e a desigualdade social no país. Para a entidade, o desejo de emigrar tornou-se uma forma de manifestação da raiva popular frente à corrupção e à crise estrutural, rejeitando o uso dos migrantes como moeda de troca política com a Espanha e a Europa.
Mohammed Nadir, professor de relações internacionais, destaca que, apesar de o país ter alcançado modernização e um crescimento de 4,9% do PIB em 2025, os benefícios não atingiram a juventude. Enquanto o rei Mohammed VI defende a estabilidade institucional, o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos alcançou 24,9% em 2022, colocando o Marrocos na 120ª posição no ranking de IDH da ONU.

