Irã ataca Golfo Pérsico após ofensiva dos EUA
Forças dos Estados Unidos e do Irã trocaram ataques intensos com mísseis e drones neste fim de semana. Teerã atacou instalações americanas em países ao redor do Golfo Pérsico neste domingo (12) e afirmou ter fechado novamente o estratégico Estreito de Ormuz. Os ataques foram os mais recentes de um ciclo de ofensivas e contraofensivas, à medida que o Irã busca afirmar seu controle sobre a navegação pelo estreito.
A ofensiva se estendeu ao Catar, mediador em negociações de cessar-fogo, e aos Emirados Árabes Unidos, cujas defesas aéreas interceptaram mísseis e drones vindos do Irã. A retomada da violência lança dúvidas sobre um acordo provisório assinado no mês passado entre EUA e Irã, que visava reabrir o estreito e pôr fim à guerra após 60 dias de negociações. O presidente dos EUA, Donald Trump, havia afirmado que considerava o cessar-fogo encerrado, embora deixasse a porta aberta para novas negociações.
A guerra, iniciada com ataques dos EUA e de Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, desestabilizou o Golfo. O bloqueio efetivo do estreito pelo Irã elevou os preços da energia e alimentou a inflação global. O Irã busca estabelecer um sistema permanente de cobrança de taxas no estreito, que transportava 20% dos embarques mundiais de petróleo e gás natural liquefeito antes da guerra. No final de sábado (11), o Irã informou ter fechado a via navegável após disparar um tiro de advertência contra uma embarcação em rota não autorizada, e no domingo, informou ter imobilizado uma segunda embarcação.
A Índia informou que um cidadão estava desaparecido após um ataque ao navio porta-contêineres GFS Galaxy na costa de Omã, enquanto o Catar aconselhou a suspensão de atividades de todas as embarcações. A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, do Irã, informou que a passagem não era possível devido a “movimentos ilegais recentes das forças militares dos Estados Unidos na região”. O Comando Central dos EUA, no entanto, afirmou que suas forças estavam posicionadas para salvaguardar a liberdade de navegação, declarando: “O Irã não controla o estreito. O tráfego está fluindo.”
O Comando Central dos EUA informou ter atacado 140 alvos militares iranianos no sábado e mais de 300 ao longo de três noites. A mídia estatal iraniana noticiou explosões em cidades portuárias e a morte de um oficial do exército iraniano em ataques “americano-israelenses”. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter destruído um centro de comando e controle e hangares de drones na Jordânia, atacado uma estação de radar dos EUA no Kuweit, plataformas de apoio e reabastecimento de porta-aviões dos EUA em Omã, e um centro de manutenção de jatos e instalações de comando no Catar.
O Catar informou que três pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas pela queda de estilhaços e declarou o Irã “totalmente responsável legalmente” pelo ataque. Os Emirados Árabes Unidos detectaram ameaças de mísseis fora de suas fronteiras, o Barein interceptou ataques aéreos iranianos, a Jordânia relatou ataques com mísseis e Omã informou ter sido alvo de ataques com drones. Omã convocou o embaixador do Irã para protestar contra os ataques com drones.
A mais recente rodada de hostilidades ocorre após negociações em Omã entre o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, e o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi. Araqchi discutiu desdobramentos regionais em ligação com o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar. Os EUA revogaram a licença que autorizava a venda de petróleo bruto iraniano após ataques a petroleiros comerciais. Analistas afirmam que Teerã utiliza tais ações para ganhar vantagem nas negociações. O principal negociador do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf, postou no X: “A era dos acordos unilaterais ACABOU. Nós avisamos: cumpram sua palavra ou paguem o preço. A realidade está batendo à porta.”
