Jacuipense e Palmeiras definem vaga na Copa do Brasil
O Jacuipense enfrenta o Palmeiras nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, no Estádio do Café, em Londrina, pelo jogo de volta da quinta fase da Copa do Brasil. O time baiano busca reverter a desvantagem após a derrota por 3 x 0 no Allianz Parque, partida em que Ramón Sosa marcou duas vezes e Felipe Anderson fechou o placar. Para avançar diretamente, o Leão do Sisal precisa de uma vitória por quatro gols de diferença.
Único representante da Série D ainda na competição, o Jacuipense enfrenta uma tarefa desafiadora contra o Palmeiras, líder do Brasileirão e do Grupo F da Libertadores. Apesar da disparidade técnica, a jornada histórica já rendeu ao clube baiano R$ 4,85 milhões em premiações nesta edição da Copa do Brasil.
O Palmeiras chega a Londrina com a classificação para a próxima fase bem encaminhada, beneficiado pela vitória por 3 x 0 no Allianz Parque. A vantagem permite a Abel Ferreira gerenciar o elenco em meio ao calendário exigente do Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil. O Verdão mantém uma excelente fase, somando 15 jogos de invencibilidade em todas as competições.
A performance no Brasileirão reforça o favoritismo do Palmeiras. A equipe lidera a Série A com 10 partidas consecutivas sem derrotas e sofreu apenas uma derrota nas últimas 16 rodadas, para o Vasco, no Rio de Janeiro. Empates recentes, como os 1 x 1 contra Santos e Remo, diminuíram a vantagem na liderança, mas não abalaram a consistência do time na temporada.
Na Libertadores, o Palmeiras alcançou a liderança do Grupo F após vencer o Sporting Cristal por 2 x 0 em Lima, com gols de Flaco López e Ramón Sosa. Essa vitória também o colocou como o clube brasileiro com mais vitórias como visitante na história do torneio, empatado com o Boca Juniors, ambos com 60 triunfos. A equipe mantém um alto nível competitivo mesmo atuando fora de seus domínios.
Em uma realidade distinta, o Jacuipense chega motivado por duas vitórias consecutivas na Série D. O Leão do Sisal venceu o CSE por 2 x 1 no último domingo, com dois gols de Thiaguinho, após ter derrotado o Atlético de Alagoinhas por 1 x 0 na rodada anterior. Contudo, antes dessa sequência, o clube foi eliminado da Copa do Nordeste sem nenhuma vitória.
A trajetória na Copa do Brasil já marca um feito histórico para o clube baiano. O Jacuipense eliminou Ceilândia e Santa Catarina nas fases iniciais, e em seguida, avançou sobre o Novorizontino nos pênaltis, após um empate sem gols em Pituaçu. A chegada à quinta fase posicionou o Leão do Sisal entre os 32 melhores times do país pela primeira vez.
Apesar da campanha histórica, a disparidade técnica ficou nítida no primeiro confronto. O Palmeiras deteve mais de 70% da posse de bola, abrindo o placar aos nove minutos com Ramón Sosa e tendo um gol anulado pelo VAR antes de ampliar. A expulsão de JP Talisca no primeiro tempo complicou a reação do Jacuipense, que contou com as defesas do goleiro Marcelo para evitar um placar ainda maior.
O jogo de ida, ocorrido no Allianz Parque em 23 de abril, foi o primeiro encontro oficial entre Jacuipense e Palmeiras na história. Até esta quinta fase da Copa do Brasil, os clubes nunca haviam se enfrentado, um reflexo de suas diferentes trajetórias. O Palmeiras possui quatro títulos da Copa do Brasil e 12 do Campeonato Brasileiro, enquanto o Jacuipense tem como destaques o título da segunda divisão baiana de 1989 e participações na Série C entre 2020 e 2021.
O retrospecto do Palmeiras contra equipes baianas na Copa do Brasil também sustenta seu favoritismo. Em 11 jogos contra clubes do estado, o Verdão registrou sete vitórias, dois empates e apenas duas derrotas. Como mandante, seu aproveitamento é de 80%, com quatro triunfos em cinco partidas. Na história da competição, o Palmeiras disputou 95 jogos até esta edição, somando 69 classificações e 26 eliminações.
O Jacuipense terá um desfalque significativo na defesa, com o zagueiro JP Talisca suspenso após ser expulso no jogo de ida. David Santana e Vicente Reis também estão pendurados, tendo recebido cartão amarelo em São Paulo.
O goleiro Marcelo permanece como um dos pilares do Leão do Sisal. Com nove anos no clube, ele se destacou novamente na partida de ida, evitando um placar mais expressivo no Allianz Parque. No ataque, Thiaguinho vive boa fase, com três gols nos dois últimos jogos da Série D, e é a principal esperança do Jacuipense para uma despedida competitiva.
A provável escalação do Jacuipense (5-3-2) deve ser: Marcelo; David Santana, Railon, Weverton, Jhones e Ruan Nascimento; Gabriel Pereira, Thiago e Vinícius Amaral; Thiaguinho e Pedro Henrique. O técnico é Rodrigo Ribeiro.
O Palmeiras enfrentará o jogo de volta com desfalques importantes. Andreas Pereira, líder de assistências do Brasileirão com nove passes decisivos, sofreu uma lesão nas costas e deve desfalcar a equipe. Piquerez se recupera de cirurgia no tornozelo direito, e Vitor Roque, lesionado no jogo de ida, além de Arthur, com edema na coxa, também estão fora.
A principal novidade é o retorno de Paulinho, que voltou a jogar contra o Remo após uma longa recuperação de cirurgia na tíbia. Abel Ferreira, suspenso no Brasileirão pelo STJD, estará no comando técnico para a Copa do Brasil. Devido à vantagem do placar no Allianz Parque, a expectativa é de uma rotação ampla no elenco, com jogadores como Marcelo Lomba, Luighi, Benedetti e Emiliano Martínez recebendo oportunidades, enquanto alguns titulares podem ser poupados.
A provável escalação do Palmeiras (4-2-3-1) é: Marcelo Lomba; Giay, Bruno Fuchs, Murilo e Jefté; Emiliano Martínez e Lucas Evangelista; Mauricio, Felipe Anderson e Ramón Sosa; Luighi (Paulinho). O técnico é Abel Ferreira.
Abel Ferreira, técnico do Palmeiras desde novembro de 2020, já soma 10 títulos pelo clube, incluindo duas Libertadores, quatro Campeonatos Paulistas e uma Copa do Brasil. Em 2026, o treinador português mantém o padrão competitivo da equipe mesmo com a rotação constante do elenco. O Verdão demonstra agressividade sem a bola, força nas transições e capacidade de alternar posse com ataques verticais.
O grande mérito do trabalho de Abel nesta temporada tem sido a capacidade de adaptação aos distintos cenários de jogo. Mesmo contra adversários com defesa fechada, o Palmeiras mantém intensidade e volume ofensivo por longos períodos, o que justifica a sequência de 15 partidas sem derrota em todas as competições.
Por outro lado, Rodrigo Ribeiro vivencia o período mais significativo na história do Jacuipense. Aos 40 anos, ele foi eleito o melhor técnico do Campeonato Baiano de 2026, após levar o clube a uma campanha histórica. No comando do Leão do Sisal há seis temporadas, ele construiu uma equipe organizada, competitiva e apta a enfrentar adversários de divisões superiores.
Diante de limitações financeiras e de elenco, Rodrigo Ribeiro focou na compactação defensiva e na identidade coletiva, transformando o Jacuipense em uma das surpresas da temporada. O clube alcançou as semifinais do Campeonato Baiano, sendo eliminado nos pênaltis pelo Vitória, e teve cinco jogadores selecionados para a equipe ideal da competição estadual.
Rodrigo Ribeiro deve manter o esquema com três zagueiros empregado no jogo de ida, mas a necessidade de reverter o placar exige uma postura mais ofensiva do Jacuipense. Sem JP Talisca, suspenso pela expulsão na partida anterior, o treinador tenta encontrar um equilíbrio entre aumentar o poder de ataque e evitar ceder espaços para os contra-ataques do Palmeiras. A expectativa é de alas mais avançados, buscando criar volume principalmente com cruzamentos.
No Allianz Parque, o Jacuipense teve apenas 28% de posse de bola e gerou poucas chances claras contra Carlos Miguel. Thiaguinho e Pedro Henrique permanecem como as principais ameaças ofensivas, utilizando bolas longas e transições rápidas. O desafio será superar uma defesa experiente, composta por jogadores como Murilo e Bruno Fuchs, acostumados a jogos de alto nível.
Do lado do Palmeiras, Abel Ferreira deve escalar um 4-2-3-1 com uma formação alternativa, mantendo o controle da posse de bola e a intensidade ofensiva. Ramón Sosa é o principal escape pelo lado esquerdo, e Felipe Anderson deve atuar mais centralizado, assumindo parte da responsabilidade criativa na ausência de Andreas Pereira.
A bola parada continua sendo um forte atributo do Palmeiras. Quase 40% dos gols da equipe na temporada vieram de cobranças de escanteio ou faltas laterais, aspecto que já gerou dificuldades para o Jacuipense no confronto de ida. A capacidade aérea de Bruno Fuchs e Murilo constitui uma ameaça constante contra um sistema defensivo que se mostrou vulnerável a esse tipo de jogada.
