Jovens poetas desafiam ditadura militar em praça pública
No final dos anos 70, em plena ditadura militar, um grupo de jovens poetas decidiu se reunir em praça pública para declamar suas poesias e desafiar a repressão. Assim surgiu o movimento Poetas na Praça, formado por estudantes da Bahia que transformaram a poesia em um marco de resistência política, cultural e social.
A poeta Ametista Nunes, uma das dez fundadoras e inicialmente a única mulher do grupo, relembrou o contexto de 1979: “Em 1979, quando a gente começou, era exatamente na época da ditadura, momento em que poesias eram proibidas, músicas eram proibidas e os artistas eram todos proibidos, exilados ou mortos. E a gente também sabe a história de muitos que foram assassinados ou desaparecidos.” O movimento se posicionava como um “desafio” às autoridades, ocorrendo em frente à sede da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, na histórica Praça da Piedade, em Salvador.
Em entrevista à Agência Brasil, Ametista destacou a poesia como um importante instrumento de resistência na época e ressaltou sua relevância contínua. Semírames Sé, outra voz feminina proeminente do movimento, descreveu a poesia como “uma batalha, nosso grito de utopia, o nosso grito de igualdade, fraternidade e comunhão.” O movimento contribuiu significativamente para a popularização da poesia, utilizando uma linguagem mais coloquial e urbana, segundo Douglas de Almeida, membro do Poetas na Praça. Ele também citou o aspecto pedagógico, com a publicação de antologias que divulgavam a poesia brasileira, incluindo obras de autores como Manuel Bandeira e Cecília Meireles. Almeida ressaltou que, apesar do engajamento contra a ditadura, os poetas também dedicavam tempo à poesia de amor, pois “quanto mais amor se gasta, mais bonito o amor brota.”

