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Meta acerta acordos milionários contra acusações de vício em redes sociais

Meta acerta acordos milionários contra acusações de vício em redes sociais

Meta acerta acordos milionários contra acusações de vício em redes sociais

A Meta chegou a acordos bilionários que incluem mudanças no Facebook e Instagram, além de pagamentos de até US$ 18 bilhões para encerrar acusações de estados americanos. As alegações centrais apontavam que a empresa projetou suas plataformas de mídia social para causar dependência em crianças e enganou o público sobre a segurança desses serviços.

Os acordos anunciados encerram um processo judicial considerado um dos testes mais importantes sobre as alegações de que empresas de mídia social prejudicam crianças. Segundo o procurador-geral do Colorado, Phil Weiser, o foco do caso era a proteção infantil.

Com os acordos, a Meta se comprometeu a limitar o uso do Facebook e Instagram por adolescentes a duas horas diárias e a bloquear o acesso entre a meia-noite e as 6h sem consentimento parental, ao longo da próxima década. Esses limites podem ser reforçados se outras plataformas adotarem medidas semelhantes, e a empresa aprimorará as proteções contra o acesso de crianças a conteúdo restrito por idade.

O acordo não obriga a Meta a abandonar suas recomendações personalizadas ou publicidade direcionada, práticas que a empresa negou ter irregularidades. O valor total dos acordos representa uma fração dos lucros trimestrais da companhia. A Meta declarou que garantir uma experiência segura e produtiva para os adolescentes em suas plataformas é um imperativo absoluto.

Os acordos englobam mais de US$ 17,6 bilhões destinados a 48 estados americanos, Washington (D.C.), Porto Rico, Samoa Americana e Ilhas Marianas do Norte. Adicionalmente, a Meta pagará US$ 459 milhões para resolver reivindicações estaduais relacionadas à privacidade no caso Cambridge Analytica, que envolveu a coleta de dados de milhões de usuários do Facebook.

A Califórnia liderará os pagamentos, recebendo US$ 2,2 bilhões, enquanto Nova York e Texas ficarão com mais de US$ 1 bilhão cada. Parte desses pagamentos está condicionada à imposição de proteções similares para crianças pelo YouTube (Alphabet) e TikTok (ByteDance), empresas que não comentaram a condenação judicial.

Especialistas em políticas de telecomunicações e internet, como James Speta da Universidade Northwestern, destacam a importância desses acordos, ressaltando a pressão crescente sobre as empresas de mídia social para mudarem suas práticas comerciais. O acordo ainda depende da aprovação da juíza federal Yvonne Gonzalez Rogers.

As redes sociais enfrentam uma onda de ações judiciais movidas por diversos estados e indivíduos, que as acusam de agravar crises de saúde mental em jovens. Milhares de processos em tribunais federais e estaduais alegam que empresas como Meta, YouTube, TikTok e Snapchat buscaram intencionalmente tornar crianças dependentes de suas plataformas.

O processo contra a Meta incluiu alegações de violação de leis estaduais de proteção ao consumidor e da Lei Federal de Proteção à Privacidade Online das Crianças, por coletar dados de crianças sem consentimento parental para treinar IA generativa. Anteriormente, a Meta argumentava que o vício em redes sociais não era uma condição psiquiátrica reconhecida.

Antes do julgamento, os estados buscavam penalidades que poderiam chegar a US$ 1,4 trilhão, com estimativas sugerindo valores próximos a US$ 200 bilhões. A juíza Gonzalez Rogers supervisiona milhares de ações movidas por indivíduos e entidades que acusam as empresas de causar danos a crianças, com próximos julgamentos agendados para outubro.

Recentemente, a Meta enfrentou outras condenações. O estado do Novo México a acusou de enganar consumidores sobre a segurança de suas plataformas. Em março, um júri determinou o pagamento de US$ 375 milhões, e em agosto, mais US$ 567 milhões e a implementação de medidas de segurança para jovens. Em outra decisão em março, Meta e Google foram considerados negligentes no design de suas plataformas, com uma ordem de pagamento de US$ 6 milhões a uma jovem que alegou vício em Instagram e YouTube desde a infância, resultando em ansiedade e depressão. Meta e Google afirmaram que recorrerão dessas sentenças.

Os estados do Novo México e Flórida não participaram dos acordos firmados nesta quarta-feira. O procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, declarou que os pagamentos aos estados são insignificantes frente aos danos causados pelos recursos viciantes da Meta às crianças e que buscarão a resolução no tribunal.

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