Milhares de mulheres negras marcham no Rio por direitos
Milhares de mulheres negras marcharam em Copacabana, no Rio de Janeiro, em defesa da democracia, contra o racismo, pela reparação e pelo bem-viver. Este foi o tema escolhido para a 12ª edição da Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, que teve como objetivo cobrar políticas públicas que enfrentem as desigualdades históricas e o racismo, promovendo justiça social e condições dignas de vida para a população negra.
A marcha foi realizada logo após o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela. A coordenadora do Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro, Clátia Vieira, ressaltou que o bem-viver é o objetivo final e que ele só será alcançado com medidas de reparação. A educadora Bárbara Carine, que participou com sua família, considera importante inserir as crianças nos espaços de mobilização, afirmando que a política é um processo de entendimento sobre quem são, seus direitos e o quanto ainda estão distantes do ideal. “A gente quer passar das pautas de sobrevivência”, declarou.
A vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, foi homenageada em faixas, camisetas e discursos. Sua mãe, Marinete Silva, participou do ato. Apresentações artísticas de grupos como Afrolaje, Angoleiras e Obara Ylê de Ouro celebraram a ancestralidade, a resistência e a produção cultural negra. O casal Cinthia Garcia e Laísse Santos, que trabalha com afroturismo, destacou o sentimento de pertencimento na marcha. Eles ressaltam que o racismo se manifesta no apagamento das contribuições da população negra para o desenvolvimento do país, e sua luta é pelo resgate dessas histórias invisibilizadas.

