Mulheres negras do Norte e Nordeste mais afetadas pela fome
Lares chefiados por mulheres negras nas regiões Norte e Nordeste são os mais impactados pela insegurança alimentar grave, segundo o estudo As faces da desigualdade: raça, sexo e alimentação no Brasil (2017-2023). A pesquisa analisou dados do período imediatamente anterior ao anúncio da saída do Brasil do Mapa da Fome pela ONU em 2025.
Os domicílios com maiores prevalências de insegurança alimentar são aqueles chefiados por mulheres negras (38,5%), seguidos por homens negros (28,9%), mulheres brancas (22,2%) e homens brancos (15,7%). As regiões Norte e Nordeste registram quase metade dos lares chefiados por mulheres negras vivenciando algum grau de insegurança alimentar (46,3% e 45,7%, respectivamente).
As autoras do estudo observam que a frequência da fome entre mulheres negras em trabalho formal é similar à de homens brancos em trabalho informal. Entre empregadores, lares chefiados por brancos apresentam maior segurança alimentar (mulheres brancas 95,2%, homens brancos 93,8%) do que os chefiados por negros (mulheres negras 89,4%, homens negros 89%). Estruturas de opressão impactam a qualidade de vida e saúde, além do acesso a alimentos.
