Naufrágio na Tunísia: 13 desaparecidos em barco de migrantes a caminho da Itália
Pelo menos 13 tunisianos estão desaparecidos após o naufrágio de um barco de migrantes que partiu da costa da Tunísia com destino à Itália. Duas pessoas foram resgatadas com vida. A informação foi divulgada pelo líder de um grupo de defesa dos direitos dos migrantes.
A embarcação, que zarpou na madrugada de quinta-feira (20), transportava principalmente jovens. Entre os passageiros estavam sete membros da mesma família, além de um homem e sua esposa grávida, segundo relatou à Reuters Mostafa Abdelkebir, diretor do Observatório Tunisiano dos Direitos Humanos.
A rota do Mediterrâneo Central, partindo da costa norte-africana, é considerada uma das mais perigosas do mundo para migrantes da África e do Oriente Médio que buscam chegar à Europa, frequentemente em condições precárias.
Um dos sobreviventes informou às equipes de resgate que ficaram à deriva por horas após a virada da embarcação. O segundo sobrevivente estava em estado crítico, conforme relatou Abdelkebir, cuja organização acompanha questões de migração.
O porta-voz da Guarda Nacional, Houssem Eddine Jebabli, confirmou que unidades da guarda costeira, com apoio aéreo e naval, estão em operações de busca pelos desaparecidos.
Abdelkebir mencionou a recuperação de quatro corpos, mas não foi possível confirmar se pertenciam aos migrantes do mesmo barco. A Tunísia tem sido um ponto de partida significativo para migrantes, mas as partidas diminuíram nos últimos dois anos devido a repressões e controles mais rigorosos, com apoio europeu, especialmente da Itália.
Organizações como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional criticaram recentemente um acordo de migração entre a UE e a Tunísia, alegando que ele incentiva abusos contra migrantes e requerentes de asilo. As organizações pediram à UE a suspensão de financiamentos para atividades de controle de fronteiras com as forças de segurança tunisianas.
A Tunísia não comentou oficialmente a declaração, mas o país tem repetidamente apontado o peso do grande influxo migratório. O presidente Kais Saied afirmou em 2023 que o fluxo migratório visava alterar a composição demográfica do país.

