Palestinos votam em eleições municipais em Gaza e Cisjordânia
Palestinos compareceram às urnas em eleições municipais neste sábado (25). Pela primeira vez em duas décadas, o pleito incluiu a Faixa de Gaza, servindo como um termômetro político em meio à busca israelense por minar a viabilidade de um Estado palestino.
A Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia, vê a inclusão de Deir al-Balah, em Gaza, como um reforço à sua reivindicação de autoridade sobre o território, de onde foi expulsa pelo Hamas em 2007. Moradores de Gaza, que enfrentam dificuldades para suprir necessidades básicas, demonstraram satisfação com a oportunidade de votar.
A participação eleitoral registrou 22,7% em Deir al-Balah e 53,44% na Cisjordânia, de acordo com dados oficiais. A apuração iniciou-se imediatamente, com resultados esperados para sábado ou domingo. Analistas apontam que a baixa adesão em Gaza reflete a crise humanitária, com foco na sobrevivência em detrimento de processos políticos. Na Cisjordânia, a participação também foi afetada por boicotes de algumas facções.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, ao votar em Al-Bireh, perto de Ramallah, declarou que eleições serão realizadas em toda a Faixa de Gaza quando as condições permitirem. Desde o cessar-fogo mediado pelos EUA em outubro, as negociações progrediram pouco. Governos europeus e árabes apoiam o retorno da governança da Autoridade Palestina em Gaza e a criação de um Estado palestino independente, abrangendo Gaza, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia.
Diplomatas ocidentais consideram as eleições locais um passo em direção às primeiras eleições nacionais em quase duas décadas, visando reformas para aumentar a transparência e responsabilização. Munif Treish, candidato na Cisjordânia, expressou o anseio por eleições legislativas e presidenciais futuras. A votação de sábado é a primeira em Gaza desde 2006 e a primeira eleição palestina desde o início da guerra em Gaza, após o ataque transfronteiriço do Hamas em outubro.
A Autoridade Palestina enfrenta dificuldades financeiras, com Israel retendo receitas tributárias, aumentando temores de colapso econômico. Israel justifica a retenção como protesto contra pagamentos a prisioneiros e familiares de mortos por suas forças. O governo israelense também tem facilitado a aquisição de terras por colonos na Cisjordânia, com o ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, afirmando: ‘Continuaremos a matar a ideia de um Estado palestino’.
Em Deir al-Balah, que sofreu menos danos em comparação a outras cidades de Gaza, faixas com listas de candidatos adornavam prédios. O comitê eleitoral palestino citou a destruição generalizada como motivo para a impossibilidade de votação no restante de Gaza. Algumas facções palestinas boicotaram o pleito em protesto contra o pedido da Autoridade Palestina para que candidatos apoiassem acordos que incluem o reconhecimento de Israel. O Hamas, que governa Gaza, não indicou candidatos formalmente, mas uma lista em Deir al-Balah foi vista como alinhada ao grupo.
Analistas acreditam que o desempenho de candidatos ligados ao Hamas pode indicar sua popularidade. A maioria dos candidatos, inclusive na Cisjordânia, concorre pelo Fatah ou como independentes. O Hamas declarou que respeitará os resultados, e fontes palestinas informaram sobre a mobilização de policiais civis do grupo para proteger as seções eleitorais em Gaza. Mais de um milhão de palestinos, incluindo 70 mil em Gaza, estavam aptos a votar.
