Passageiros de navio com hantavírus em isolamento total nas Canárias
As Ilhas Canárias, arquipélago espanhol, enfrenta uma situação sanitária excepcional com a chegada iminente do navio MV Hondius em Tenerife. A embarcação está afetada por um surto de hantavírus que já causou três mortes e oito casos confirmados. Todas as pessoas com sintomas foram retiradas para tratamento.
Cerca de 140 passageiros assintomáticos, considerados saudáveis pela ministra da Saúde, Mónica García, passarão por avaliação médica em Tenerife. Após esta triagem, serão repatriados para seus países de origem. Dentre eles, 14 espanhóis serão transferidos para o Hospital Gómez Ulla, em Madri, para um período de quarentena.
Os passageiros espanhóis ficarão em isolamento na Unidade de Isolamento e Tratamento de Alto Nível (Uatan) do Ministério da Defesa. O período de incubação do hantavírus é de aproximadamente 45 dias, embora a doença tenha surgido no navio entre 6 e 28 de abril. Testes sorológicos em assintomáticos não são capazes de detectar a doença em estágio inicial, sendo o monitoramento de sintomas a única forma de diagnóstico confiável.
Sintomas iniciais da doença assemelham-se aos da gripe, como febre e mal-estar, podendo evoluir para quadros gástricos como diarreia e dores abdominais. Em casos graves, ocorre o envolvimento pulmonar, necessitando de tratamento em unidade de terapia intensiva (UTI). O tempo é crucial, pois a progressão para casos graves pode ocorrer entre três e seis dias após os primeiros sintomas.
Sem vacina ou cura, o tratamento precoce é fundamental. Na UTI, o organismo combate o vírus e o tratamento rápido pode reduzir significativamente a taxa de letalidade, que pode atingir 50%. A ministra da Saúde assegurou que o processo de repatriamento não representará risco para a população ou economia das Canárias, caso não surjam novos casos sintomáticos.
Protocolos de segurança rigorosos serão seguidos, incluindo a escolha de um porto de menor tráfego para atracação. Profissionais de saúde utilizarão Equipamento de Proteção Individual (EPI) completo e seguirão protocolos específicos de manuseio e descarte. O risco de transmissão entre humanos é considerado baixo e restrito à variante Andes, que afetou o navio, ocorrendo por contato muito próximo.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a ausência de roedores no navio, indicando que as mortes podem ter ocorrido na Argentina antes do embarque. Os roedores transmissores do hantavírus são ratos selvagens, distintos das ratazanas urbanas. A desinfecção do navio, possivelmente por limpeza úmida, é considerada simples e permitirá a retomada das operações.
Diferentemente da Covid-19 em seu surgimento, o hantavírus é conhecido há 50 anos e seus casos são monitorados. Especialistas descrevem o vírus como ‘muito letal, mas pouco contagioso’, descartando a possibilidade de uma epidemia na Espanha devido ao baixo risco de contágio para a população.

