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Professora de robótica com sucata inspira educação e políticas públicas

Professora de robótica com sucata inspira educação e políticas públicas

Professora de robótica com sucata inspira educação e políticas públicas

Débora Garofalo, professora de uma escola pública municipal em São Paulo, iniciou em 2015 um projeto inovador de robótica com sucata para alunos do ensino fundamental. A iniciativa, reconhecida com diversos prêmios, impulsionou a carreira da educadora, que em 2019 figurou entre os dez melhores colocados no Global Teacher Prize, o “Nobel da Educação”, sendo a primeira brasileira e sul-americana a alcançar tal feito. Dez anos após o lançamento do projeto, Débora foi laureada como a professora mais influente do mundo em uma nova categoria da premiação, o Global Teacher Influencer of the Year, em reconhecimento à sua trajetória que transcende o ambiente escolar. Em 2025, recebeu ainda o Prêmio Faz Diferença na categoria Educação.

O projeto de robótica com sucata não apenas reduziu a evasão escolar e o trabalho infantil na escola da periferia da zona sul de São Paulo, mas também evoluiu para se tornar uma política pública estadual, sob a orientação de Débora. Em entrevista, ela detalhou a origem do projeto, os obstáculos enfrentados e as conquistas alcançadas, compartilhando sua visão sobre o uso da tecnologia na aprendizagem de crianças e jovens, que não depende necessariamente de telas.

O projeto nasceu em 2015 na EMEF Almirante Ary Parreiras, localizada em uma área de vulnerabilidade social. Débora, professora de língua portuguesa, viu na vaga de tecnologia e inovação uma oportunidade para ressignificar o território educativo, trabalhando com programação e robótica. Ao descobrir que 70% dos estudantes viam o lixo como um problema que impactava suas vidas e a escola, ela decidiu transformá-lo em objeto de conhecimento. O primeiro protótipo, um carrinho feito com lixo e utilizando a Terceira Lei de Newton, obteve uma resposta entusiástica dos alunos, confirmando o potencial da abordagem.

A integração da comunidade foi promovida através de feiras de tecnologias, que reuniram centenas de pessoas e expuseram projetos criados pelos alunos, desde pipoqueiras a filtros de água e sensores de transbordamento de córregos. Em três anos e meio, o projeto elevou o Ideb da escola, reduziu a evasão escolar em 93% e o trabalho infantil em 95%, além de retirar mais de uma tonelada de lixo das ruas. A iniciativa também buscou conscientizar familiares sobre a importância de erradicar o trabalho infantil, com a participação de representantes do setor público.

Débora aceitou o convite para integrar a Secretaria Estadual de Educação com o objetivo de transformar o projeto em currículo para 5,4 mil escolas e 3,7 milhões de estudantes. O foco era trabalhar o lixo como material de aprendizado, estimulando a criatividade. A partir daí, foram criadas iniciativas como a Expo Movimento Inova, para integrar estudantes de todo o estado, e o Centro de Inovação da Educação Básica Paulista, transformando escolas ociosas em polos de criação. Em 2022, foram estabelecidas 18 unidades desses centros, uma carreta móvel e um currículo pioneiro de tecnologia e inovação.

Posteriormente, Débora atuou no Rio de Janeiro, estruturando 300 Ginásios Educacionais Tecnológicos (GETs), e passou a apoiar outros estados e municípios com formação docente e consultoria. A surpresa do Global Teacher Prize em 2026, em Dubai, onde recebeu o prêmio Global Teacher Influencer of the Year, destacou o impacto de seu trabalho como política pública. A premiação, que reconheceu sua influência fora da sala de aula, a emocionou profundamente, compartilhando o momento com todos os professores e estudantes brasileiros.

Os obstáculos para a adoção de tecnologia nas escolas incluem a falta de suporte técnico, recursos, infraestrutura e formação nas secretarias de educação, apesar da aprovação da BNCC da Computação. A tecnologia, que evolui rapidamente e já faz parte da vida dos jovens, precisa ser integrada com criticidade, ética e responsabilidade. A tecnologia por si só não resolve os problemas educacionais; é essencial que venha acompanhada de propostas de resolução de problemas, amabilidade e humanização do processo, focando nas habilidades socioemocionais e na aprendizagem através do erro e da frustração, conceitos centrais da educação 5.0.

O uso de tecnologia na escola não está intrinsecamente ligado a telas. A intencionalidade pedagógica é o fator determinante para o sucesso, não apenas a infraestrutura. Débora Garofalo ressalta que muitas soluções surgem da criatividade e da adaptação a problemas concretos, como foi o caso do lixo, que abriu portas para o aprendizado diferenciado. A simplicidade, quando aliada à intenção correta, pode ser extremamente eficaz.

O livro “Robótica com Sucata – Uma aventura pela criatividade” foi lançado para democratizar o acesso ao projeto e inspirar professores e alunos. O almanaque, descrito como “mão na massa”, integra leitura, literatura e história da ciência, incentivando a transformação de materiais simples, como copos e brinquedos desmontados, em novas criações. A publicação, que já conta com dois volumes e um terceiro a caminho, visa mostrar como os problemas podem ser convertidos em soluções criativas.

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