Queda nas mortes por HIV e desafios financeiros globais
Relatórios do Programa Conjunto das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) apontam que as novas infecções e mortes relacionadas à Aids atingiram os menores níveis globais em 2025. O mundo registrou 1,2 milhão de novas infecções, uma queda de 40% desde 2010, e 570 mil mortes no último ano. Contudo, a diretora-executiva da Unaids, Winnie Byanyima, alerta que a falta de recursos ameaça esses avanços, especialmente com a queda de 23% nos investimentos do Overseas Development Assistance (ODA) em 2025.
Apesar do cenário positivo, 21 países e três regiões apresentaram aumento de novos casos, incluindo o Brasil, que ampliou em 41% o acesso a remédios preventivos. A meta de eliminar a Aids como ameaça à saúde pública até 2030 depende da democratização de novas tecnologias, como a Prep injetável. Estima-se que 20 milhões de pessoas precisem de acesso a esse tratamento, o que exige preços acessíveis, produção de genéricos e transferência de tecnologia.
O panorama atual ainda enfrenta graves barreiras sociais e estruturais. Em 2025, uma em cada cinco pessoas vivendo com HIV não recebia tratamento, índice que atinge quase metade das crianças. Além disso, a discriminação cresceu: 66 países criminalizam relações entre pessoas do mesmo sexo, 14 punem pessoas trans, 168 proíbem aspectos do trabalho sexual e 152 penalizam a posse de pequenas quantidades de drogas.

