Rádio Nacional celebra 90 anos de história e cultura
A Rádio Nacional comemora 90 anos de trajetória, marcando sua presença indelével na cultura brasileira. Sua história é celebrada em um programa especial, destacando o legado da emissora que moldou e continua a influenciar a programação de rádio e televisão no país.
Atualmente, a Rádio Nacional integra a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) como um veículo público essencial. Suas ondas sonoras alcançam as regiões mais remotas do Brasil, disseminando informação, cultura, música, serviços e programação popular, conectando o país.
Em um Brasil em desenvolvimento industrial e expansão urbana, o rádio surgiu como o primeiro meio de comunicação de massa a atingir a população de forma abrangente, especialmente aqueles que viviam na zona rural e não sabiam ler. A Rádio Nacional se consolidou como um símbolo desse fenômeno comunicacional.
Nascida como emissora privada, a Rádio Nacional foi estatizada na década de 1940 pelo presidente Getúlio Vargas. Sob novo comando, recebeu investimentos significativos em transmissores e programação, tornando-se campeã de audiência segundo o Ibope. A programação diversificada incluía notícias, música, radionovelas, radioteatro, humor e transmissões esportivas, inovações para a época.
O acervo da EBC preserva memórias de talentos que atraíam multidões aos programas de auditório, como Emilinha Borba, Marlene, Cauby Peixoto, Pixinguinha, Paulo Gracindo e Heron Domingues, apresentador do Repórter Esso.
Seis dos nove volumes originais dos roteiros de “Em busca da Felicidade”, a primeira radionovela brasileira exibida pela Rádio Nacional entre 1941 e 1943, estão preservados. Este acervo rendeu à EBC o certificado Memória do Mundo da Unesco, reconhecendo sua importância histórica e cultural. O material está em processo de tombamento pelo Iphan, com planos de salvaguardar fotos, documentos e programas gravados.
Mara Régia, fã das cantoras da Rádio Nacional na adolescência, tornou-se uma apresentadora longeva com o programa “Viva Maria”, dedicado à valorização feminina e aos direitos das mulheres. O programa impulsionou a criação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, com transmissões marcantes a partir da rodoviária de Brasília.
Ao longo de nove décadas, a Rádio Nacional acompanhou as transformações do país e das comunicações, expandindo-se em sete emissoras principais: Rádio Nacional do Rio de Janeiro (1936), Rádio Nacional de Brasília AM (1958) e FM (1976), Rádio Nacional da Amazônia (1977), Rádio Nacional do Alto Solimões (2006), Rádio Nacional São Luís e Rádio Nacional São Paulo (ambas de 2021).
Desde 2007, como veículo público da EBC, a Rádio Nacional ampliou seu compromisso com a cultura popular e a cidadania, fortalecendo sua missão informativa e educativa.
Thiago Regotto, diretor-geral da EBC, destaca a Rádio Nacional como um pilar da radiodifusão pública, fomentando a música brasileira e um jornalismo independente e crítico para estimular a formação de opinião.
Marcelo Kischinhevsky, professor da UFRJ, ressalta o papel da Rádio Nacional na articulação da Rede Nacional de Comunicação Pública, com mais de 140 emissoras parceiras que compartilham conteúdo informativo, educativo e cultural sem fins comerciais, combatendo a desinformação com fontes verificadas e embasadas na ciência.
A Rádio Nacional mantém sua sintonia com o Brasil através de gerações. Hernandez Lopes, de 14 anos, herdou o hábito de ouvir a emissora de seu pai, que por sua vez, o herdou de sua mãe. Morador de Belford Roxo, ele participa ativamente do programa Revista Rio, pedindo músicas e contribuindo para a programação, valorizando a escuta compartilhada que combate a solidão.

