Seleção Brasileira: Convocação com festa estranha e gente esquisita
A coluna, por sua natureza, é o espaço da opinião e do devaneio. Diferente da reportagem, que exige rigor, equilíbrio e neutralidade, a coluna permite o uso de adjetivos, exageros e a explicitação do lado em que o autor se encontra. Essa flexibilidade permite, por exemplo, definir a convocação da Seleção Brasileira como uma ‘festa estranha com gente esquisita’, uma definição atribuída a Eduardo e Mônica.
Quando 47 seleções apresentam suas listas de convocados sem alarde, e apenas uma opta pela pirotecnia, algo está errado. A convocação da Seleção Brasileira, em meio a uma atmosfera de excessos e de ostentação, remete a ‘novos ricos’ que se perdem em combinações chamativas e fora do tom. Este cenário, somado ao histórico recente da Seleção Brasileira, com quatro anos de degradação, trocas de presidentes da CBF, escândalos de corrupção e assédio sexual, e um vexame histórico no Monumental de Nuñez, reforça a ideia de que a preparação foi ofuscada por um espetáculo cafona.
Além da cafonice, a organização da festa e da decoração envolveu escritórios que trabalhavam para a estatal do DF, levantando suspeitas de conflito de interesse, superfaturamento, subfaturamento e licitações viciadas. Notavelmente, as mesmas empresas denunciadas em 2018 na ‘Operação Praia de Goa’ reapareceram neste evento. A repetição desses fatos sugere que não aprendemos com escândalos passados. O ápice do constrangimento veio com a convocação de um jogador inativo há três anos, com apenas 15 jogos na temporada. A história cobra, a bola pune, e uma ‘festa estranha com gente esquisita’ não será perdoada.


