Três anos após morte de Mãe Bernadete, busca por justiça e memória se intensifica
Três anos após o brutal assassinato da liderança quilombola Mãe Bernadete, familiares, amigos e instituições de direitos humanos mantêm viva sua memória e legado, enquanto intensificam a busca por justiça. A ativista foi morta com 25 tiros em sua residência na comunidade de Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA).
Para marcar a data, uma missa foi realizada no Santuário do Senhor do Bonfim da Bahia, em Salvador. O neto de Mãe Bernadete, Wellington Pacífico, de 25 anos, ressalta o trabalho contínuo na preservação do legado de sua avó, apesar dos desafios enfrentados pelas comunidades quilombolas. Wellington, que estava na casa no momento do assassinato de sua avó, já havia perdido o pai, o ativista Flávio Pacífico, em 2017.
Wellington Pacífico ingressou no curso de direito para lutar por justiça pela sua família e pelas comunidades quilombolas, transformando o luto em luta. Ele está no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos (PPDDH). Ele relata que dois acusados pela morte de sua avó foram condenados: Arielson da Conceição dos Santos a mais de 40 anos de prisão e Marílio dos Santos a 29 anos e 9 meses. Outros três acusados aguardam julgamento, previsto para outubro.
A família planeja realizar um novo festival de cultura e arte quilombola, iniciativa liderada pelo filho de Mãe Bernadete, Jurandir Pacífico. Ele busca parcerias para manter projetos como festivais, cursos de artesanato e a cozinha solidária, além de buscar políticas públicas para as comunidades quilombolas.
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq) emitiu nota exigindo responsabilização dos acusados e medidas efetivas para a segurança de lideranças quilombolas. A entidade destaca o papel de Bernadete como defensora de seu povo e ressalta que sua voz continua ecoando. A Conaq também divulgou um levantamento indicando que, entre 2016 e 2024, pelo menos 22 mulheres quilombolas foram assassinadas e 33 ameaçadas entre 2021 e 2023.
A historiadora Valdecir Nascimento, fundadora do Odara – Instituto da Mulher Negra, aponta que mulheres negras defensoras de direitos humanos são vítimas de racismo e outras violações. A Conaq apresentou um plano emergencial de proteção a mulheres quilombolas ao poder público, visando garantir segurança para a luta pela terra, uma vez que apenas 12,6% dos quilombolas brasileiros estão em territórios demarcados.

