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Trump encontra Xi Jinping em Pequim em meio à crise no Irã

Trump encontra Xi Jinping em Pequim em meio à crise no Irã

Trump encontra Xi Jinping em Pequim em meio à crise no Irã

A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China para um encontro com o presidente Xi Jinping, acapta a atenção global em um momento de tensões internacionais e instabilidade econômica, exacerbadas pela guerra no Irã.

A China, vista por Washington como um desafio à sua liderança econômica e tecnológica, foi alvo prioritário da guerra tarifária iniciada por Trump no início de seu segundo mandato em abril de 2025. A resposta chinesa, incluindo restrições à exportação de terras raras, minerais essenciais para setores de tecnologia e defesa dos EUA, levou Trump a recuar na imposição de tarifas sobre produtos chineses.

A ofensiva contra o Irã, lançada no final de fevereiro, também prejudicou os interesses de Pequim, principal consumidora de petróleo iraniano e que buscava a reabertura do Estreito de Ormuz, por onde transitava 20% do petróleo mundial antes da guerra. Para analistas, a disputa comercial e tecnológica entre Washington e Pequim pode beneficiar o Brasil, que possui a segunda maior reserva de minerais críticos do mundo.

O encontro entre Trump e Xi Jinping, inicialmente marcado para o final de março, foi adiado devido à guerra no Oriente Médio, que teria como objetivos, além de projetar Israel, conter a expansão econômica chinesa na Ásia Ocidental. O analista geopolítico Marco Fernandes avalia que Trump calculou mal a possibilidade de derrubar o governo iraniano rapidamente, o que o colocaria em uma posição de impor acordos mais favoráveis a Washington.

Fernandes também destaca que Xi Jinping conseguiu manter o crescimento das exportações chinesas apesar das tarifas de Trump. No entanto, a China deve pressionar Trump pelo fim definitivo da guerra no Oriente Médio, considerando a triangulação entre Pequim, Moscou e Teerã, com Rússia e China intermediando uma solução pacífica. O Irã busca o fim da guerra, e a Rússia e a China estão envolvidas na mediação.

Donald Trump informou que abordará com Xi Jinping a venda de armas dos EUA para Taiwan, província autônoma chinesa com aspirações de independência. Pequim se opõe firmemente a essa venda e à independência de Taiwan, mantendo sua política de “uma só China”, conforme reiterado pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun.

O professor de Relações Internacionais, José Luiz Niemeyer, avalia que a China exigirá dos EUA que não incentivem, de forma alguma, a independência de Taiwan. A discussão principal entre os dois líderes será sobre os limites de atuação de cada país em suas respectivas áreas de influência, com os EUA definindo a América Latina como uma zona de defesa.

A doutrina do governo Trump prega a proeminência de Washington na América Latina e o combate à influência chinesa no continente, onde Pequim é o principal parceiro comercial da maioria dos países sul-americanos. Niemeyer acredita que a China está em uma posição mais vantajosa na negociação, com a visita de Trump a Pequim indicando uma necessidade de aproximação dos EUA.

O tema das terras raras também será central nos debates, com a China liderando a produção desses minerais, essenciais para as indústrias militar, tecnológica e de transição energética. Os EUA dependem de minerais como samário e neodímio, fundamentais para a indústria bélica, que não dispõem em seu território, ao contrário da China.

Marco Fernandes ressalta que, embora a indústria dos EUA já tenha acesso a minerais críticos chineses, Pequim pode impor novas restrições, como fez durante a guerra tarifária, prejudicando negócios norte-americanos. A China implementou recentemente sua lei anti-sanções, proibindo que empresas no país reconheçam sanções dos EUA, uma novidade assertiva na postura chinesa em relação a Washington.

As relações sino-americanas são cruciais para o Brasil, como principais parceiros comerciais. A disputa pelo controle das terras raras pode ser explorada por Brasília para obter ganhos políticos e econômicos. Niemeyer sugere uma “posição passiva estratégica”, aproveitando a escassez de produtos em litígio para exportar, como minerais de terras raras.

Marco Fernandes enfatiza que o Brasil está no centro da disputa por terras raras entre EUA e China, defendendo que o país se posicione de maneira soberana para acumular benefícios em seus próprios interesses.

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