Copa do Mundo de 1942: Jogos que ecoaram em tempos de guerra
A Segunda Guerra Mundial representou o maior antagonista da história do futebol, forçando o cancelamento da Copa do Mundo de 1942. O que deveria ser o ápice de um ciclo esportivo, com nações se reunindo pela quarta vez em busca da taça, transformou-se no avanço de tropas e no silêncio de um esporte sem seu palco global. O Lance! reconstrói os jogos que poderiam ter marcado o Mundial que não aconteceu.
A FIFA havia recebido candidaturas de peso para sediar o evento: Brasil e Alemanha. Contudo, a eclosão do conflito em 1939 tornou qualquer plano de integração mundial uma utopia. A Taça Jules Rimet, em vez de ser erguida por um capitão vitorioso, foi escondida em uma caixa de sapatos na Itália, aguardando tempos pacíficos.
Apesar do cancelamento oficial, o futebol fragmentou-se em realidades regionais. Enquanto a Europa ardia em batalhas, a América do Sul vivia uma era de ouro técnica. Torneios regionais mantiveram o espírito competitivo vivo, permitindo analisar com uma lente de ‘e se?’ partidas que carregaram a intensidade de uma final de Copa. Esses jogos fantasmas de 1942 servem como exercício de história contrafactual.
No Atlântico Sul, o trio Uruguai, Argentina e Brasil disputava a supremacia continental. Na Europa dividida, amistosos isolados tentavam manter uma normalidade impossível, com seleções como Suécia e Alemanha medindo forças sob a sombra da guerra. Entender esses confrontos resgata a resiliência do esporte e sugere que o destino de craques e a evolução tática poderiam ter sido outros.
Montevidéu tornou-se a capital do futebol em 1942, sediando a Copa América com sete seleções no Estádio Centenário, um número recorde. Sem os europeus, os sul-americanos apresentaram um nível técnico que os colocaria como favoritos em qualquer torneio global. Algumas partidas dessa competição funcionam como quartas ou semis imaginárias.
Na Europa, em Berlim, um amistoso em 20 de setembro de 1942 marcou a ‘final europeia’ do Mundial que não existiu. Cerca de 90 mil torcedores no Olympiastadion assistiram Alemanha e Suécia medirem forças. A Alemanha, em momento de invencibilidade propagandística após goleadas sobre Hungria e Romênia, viu o jogo ser tratado pela imprensa como o confronto definitivo do continente.
O roteiro foi digno de uma decisão de Copa do Mundo: a Alemanha abriu o placar com Leonhardt, a Suézia empatou com Jonsson, e a Alemanha voltou a liderar com P. Fischer. No segundo tempo, a Suécia virou o jogo com outros dois gols de Jonsson, fechando o placar em 3 a 2 para os suecos. Para muitos historiadores, esse jogo foi o de maior nível técnico disputado em solo europeu durante a guerra, encerrando melancolicamente o ciclo que deveria ter culminado com a entrega da taça.
