Fenaj critica ‘tiktokização’ e superficialidade em campanhas eleitorais
O debate público sobre os rumos do Brasil está sendo esvaziado por um modelo eleitoral distorcido, marcado pela ausência de propostas estruturais. A afirmação é da presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro. Ela argumenta que os problemas reais do país deixam de ser discutidos devido a dois fatores principais: a busca da grande mídia por audiência instantânea e a adesão das candidaturas a uma lógica de marketing superficial.
Samira de Castro acrescenta que, em tempos de atenção pulverizada e consumo superficial de notícias, poucos candidatos parecem dispostos a debater a sério os reais problemas do Brasil. A presidenta da Fenaj destaca também o papel do jornalismo em grandes crises, como a que afeta o Supremo Tribunal Federal (STF), e a importância de ir além do noticiário superficial. Ela ressalta que a crise político-institucional envolvendo denúncias relacionadas ao caso Master está dominando o debate e a cobertura noticiosa.
A líder da Fenaj expressa preocupação com a superficialidade com que escândalos são tratados, o que prejudica o debate eleitoral. Com as atenções voltadas para a crise institucional, as discussões sobre propostas de candidatos, demandas da sociedade civil e pautas nacionais ficam em segundo plano. Essa lógica, impulsionada pela busca por audiência, resulta em uma população que não debate com profundidade os programas de governo, prejudicando a sociedade civil organizada.
Diante desse cenário, Samira de Castro defende que a mídia precisa insistir em uma segunda agenda, aprofundando o debate sobre temas estruturais do país, como as mudanças climáticas e a exploração de terras raras. Ela critica a concorrência com redes sociais e a busca por engajamento momentâneo, que levam ao empobrecimento das campanhas e a um processo de ‘tiktokização’, onde tudo se resume a dancinhas, em detrimento da discussão séria dos problemas nacionais.

