Ator Déo Garcez encena legado de Luiz Gama
O ator Déo Garcez revisita a trajetória do advogado e jornalista Luiz Gama (1830-1882) no espetáculo teatral Luiz Gama: uma voz pela liberdade. Em cena, o intérprete enfatiza o ideário de igualdade e direitos fundamentais do abolicionista, provocando reflexões sobre a persistência do racismo e das desigualdades na sociedade brasileira contemporânea.
Durante debates em Brasília, o sociólogo Jessé Souza destacou que a escravidão permanece enraizada em símbolos e ideias que moldam o comportamento atual. Segundo o pesquisador, o racismo atua como a alma do país sob formas modernas de opressão. Luiz Gama é reconhecido como patrono da abolição, tendo utilizado seu conhecimento jurídico para libertar mais de 500 pessoas escravizadas irregularmente, baseando-se em leis como a Lei Feijó de 1831 e a Lei do Ventre Livre de 1871.
O legado de Gama ganha reconhecimento internacional, com a Unesco em processo final de validar seus manuscritos, que somam 232 documentos no Arquivo Público do Estado de São Paulo, como Patrimônio Documental da Humanidade. Artur Antônio dos Santos Araújo, doutorando em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), reforça que a abolição foi fruto da resistência coletiva da comunidade negra, e não uma concessão benevolente, criticando a falta de reparação social e direitos dignos que se seguiu ao 13 de maio.
Para Déo Garcez, que encena a vida de Gama há mais de uma década, o teatro funciona como um instrumento de conscientização antirracista. O ator ressalta que o conhecimento liberta os indivíduos de apagamentos históricos e defende que, assim como o patrono da abolição, todos devem se indignar contra as injustiças cotidianas, reconhecendo que a herança africana é parte integrante da identidade de todo o povo brasileiro.
