Investigação sobre poupança de escravizados na Caixa Econômica
O Ministério Público Federal (MPF) investiga registros financeiros do século 19, buscando identificar valores poupados por pessoas escravizadas para a compra da alforria. Até o momento, 158 cadernetas de poupança foram localizadas no acervo da Caixa Econômica Federal, e o órgão exige acesso detalhado aos livros de conta corrente para apurar a existência de outros depósitos e juros acumulados desde a época.
A Caixa Econômica Federal informou, em nota, que tem colaborado com o MPF e que a gestão de seu acervo histórico é um processo contínuo realizado por equipes multidisciplinares. Estima-se que a triagem documental envolva cerca de 15 quilômetros de registros, uma tarefa complexa que exige catalogação e digitalização para que o material seja disponibilizado à sociedade e pesquisadores, segundo a historiadora Keila Grinberg.
O debate sobre o passado escravista é reforçado pelo historiador Itan Cruz Ramos, que aponta o uso indevido de fundos de emancipação para o financiamento de mão de obra europeia no pós-abolição. O autor, que publicou estudos na USP sobre a apropriação do Fundo de Emancipação, destaca que o montante de 12.622:308$776 réis desapareceu dos registros oficiais nos anos iniciais da República, sinalizando que a investigação pode revelar desdobramentos importantes sobre a história econômica e a reparação racial no Brasil.
