Brasil critica tarifas dos EUA como discriminatórias e injustas
O Brasil manifestou novamente sua insatisfação com as tarifas impostas pelos Estados Unidos, classificando as medidas como discriminatórias e contrárias às regras comerciais internacionais. A posição foi reforçada durante uma reunião virtual entre os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer.
Em nota conjunta, os ministérios consideraram o tratamento dispensado ao Brasil injusto, afirmando que as justificativas apresentadas nas investigações americanas não refletem as práticas brasileiras. “Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos, nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”, declararam.
Apesar das divergências, Brasil e Estados Unidos decidiram prosseguir com as negociações, agendando reuniões técnicas para as próximas semanas e um novo encontro ministerial para avaliar os progressos. O governo brasileiro buscará um acordo equilibrado e mutuamente benéfico, pautado no diálogo e no respeito à soberania nacional. A retomada das conversas segue o contato telefônico entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em 21 de agosto, quando Lula contestou as tarifas e Trump propôs a reabertura das negociações. O Brasil enfrenta uma tarifa adicional de 25% e outra de 12,5%, esta última justificada pelos EUA por questões de combate ao trabalho forçado. A disputa ocorre em um cenário de crescente competição econômica entre Estados Unidos e China na América Latina.

