Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais em SP Contra Violência
Diversas organizações e coletivos realizaram em São Paulo a 24ª Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais. O evento buscou fortalecer reivindicações específicas, embasadas em violências concretas e simbólicas que afetam de maneira particular a comunidade LGBTQIA+.
Fizeram parte da articulação a Coletiva da Visibilidade Lésbica SP, a Rede LésBi Brasil, o Lésbicas na Parada SP, a Rede Nacional Candaces, de Lésbicas e Mulheres Bissexuais Negras Feministas, e a Associação Brasileira de Lésbicas (ABL), entre outros grupos.
O protesto, que anualmente reitera o peso da lesbofobia e da bifobia contra brasileiras, teve como um dos motes o aniversário de dez anos do assassinato da jovem negra Luana Barbosa dos Reis. Lésbica, negra e periférica, ela foi vítima de letalidade policial aos 34 anos.
Conforme familiares e movimentos sociais denunciaram, Reis foi abordada em Ribeirão Preto (SP) por dois policiais militares e espancada até a morte após recusar uma revista feita por agentes do gênero masculino, um direito previsto em lei.
O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania criou este ano uma premiação com o nome de Luana Barbosa para reconhecer iniciativas voltadas a mulheres homossexuais e de enfrentamento ao lesbocídio e à lesbofobia.
O caso ocorreu em 13 de abril de 2016 e, segundo sua irmã, Roseli dos Reis, os agentes não responderam até agora pelo crime. Na concentração em frente ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp), lideranças afirmaram que a ultradireita brasileira representa o agravamento das perseguições contra essa parcela das mulheres.
A lista de agressões contra mulheres bissexuais e lésbicas é extensa. De acordo com o LesboCenso, o ódio, a segregação e a aversão contra elas se materializam como atos de discriminação em espaços públicos, invisibilidade de seus relacionamentos, violência verbal, isolamento, assédio sexual, objetificação e estupro corretivo.
A fotógrafa e modelo Helena Silva, de 26 anos, relatou vivenciar invisibilidade como pessoa bissexual, utilizando a figura do unicórnio como alegoria para os estereótipos aos quais o grupo é reduzido. Ela mencionou dificuldades em discutir suas experiências românticas e sexuais em família, recorrendo a amigos para obter informações sobre saúde ginecológica e sexual.
Souza, companheira de Silva, frisou que jamais deixou que ninguém a limitasse. Ela compartilhou que a família, inicialmente receosa com sua orientação sexual, mudou a visão após vê-la firmada em uma carreira e conquistar estabilidade, atribuindo o receio a um ‘preconceito enraizado’.
