Cancelamento do Festival de Brasília gera forte repúdio político
O Governo do Distrito Federal (GDF) oficializou nesta segunda-feira (10) o cancelamento da 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que ocorreria entre 11 e 19 de setembro de 2026. A decisão pegou de surpresa organizadores e a classe artística, visto que o evento, considerado patrimônio imaterial desde 2007, já contava com 1.928 filmes inscritos e mais de 80 obras selecionadas.
Eduardo Valente, diretor artístico do festival, lamentou a medida e convocou o setor audiovisual para uma mobilização coletiva. Representantes de entidades, como Tiago de Aragão, da API, associam o corte orçamentário à crise financeira no GDF provocada pelo escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB), o Banco Master e Vorcaro. Por sua vez, Tatiana Costa, da Apan, classificou o cancelamento como uma decisão política grave que coloca em risco a continuidade de outros festivais de cinema no país.
A Secretaria de Cultura do Distrito Federal não se manifestou sobre o encerramento da edição. O Festival de Brasília, que é o mais longevo do Brasil, realizou-se ininterruptamente desde 1965, com exceção de dois anos durante a ditadura militar. A cineasta Carina Bini ressaltou que a suspensão do evento impacta diretamente a cadeia produtiva local, afetando a geração de empregos e o fomento cultural da capital federal.

